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Por que o preço do café especial (gourmet) não aumentou tanto como o do café comum

Diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio, explica o que está causando a inflação do café comum

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 fev 2025, 10h36 • Atualizado em 24 fev 2025, 13h09
  • Com alta de 40% em um ano, o café tem sido um dos vilões da inflação no supermercado. A escalada no preço da bebida que é paixão nacional nos últimos meses é resultado de uma combinação de fatores, como a quebra de safra em importantes países produtores, devido a condições climáticas adversas, altos custos de insumos agrícolas, e a desvalorização do real. O produto é mais um na lista da inflação dos alimentos, uma das grandes causas da queda de popularidade do governo.

    Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio, o aumento da demanda global também pesou na precificação do produto. “Tivemos um aumento do consumo e uma expectativa de que esse crescimento continue em 2025 e 2026. Além dos países que já são consumidores tradicionais, entraram no mercado novas nações, como a China, além do crescimento do Japão e de alguns países árabes. Isso dificultou o equilíbrio entre produção e consumo, impactando os preços”, explica Inácio.

    As exportações também exercem um papel relevante na formação dos preços, já que o café é uma commodity negociada em bolsa. No entanto, o dirigente da Abic esclarece que isso não significa que a venda para o exterior prejudica a disponibilidade do produto no mercado interno. “A exportação não atrapalha o consumo do Brasil nem encarece o produto. Se houver mais demanda, a exportação será maior, mas se houver menor produção, a disputa será maior”, diz.

    Por que o café especial não subiu tanto de preço?

    Enquanto o café  comum teve um forte aumento de preço, o café especial, também chamado de gourmet, sofreu reajustes mais moderados.  Se antes o café gourmet custava até quatro vezes mais do que o comum no mercado, hoje essa diferença caiu pela metade. Segundo Inácio, isso ocorre porque esse segmento tem um modelo de precificação menos volátil. “O preço do café especial já é historicamente mais elevado e menos impactado pelas variações da commodity. É um mercado mais estável, que atende a um nicho específico”, diz.

    Outro fator que contribui para essa diferença ter diminuído é a dinâmica de reposição dos produtos nas prateleiras. Os cafés gourmet têm menor giro no varejo. “A renovação do estoque é mais lenta em comparação aos cafés tradicionais, que são repostos mais rapidamente. Isso significa que os aumentos de preço demoram mais para chegar ao consumidor final”, explica o executivo da Abic.

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    Ele diz que, se não houver grandes problemas climáticos em 2025 ,a  expectativa é de uma normalização da produção. No entanto, a expectativa para a produção da variação arábica, usada nos cafés especiais, é menor, o que pode levar à alta dos preços.

     

     

     

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