Por que o discurso de Jerome Powell, do Fed, faz o dólar cair
O dia começou com o dólar em alta, aproximando-se de R$ 5,60, mas recua mais de 1% após o discurso do presidente do banco central americano

O dia começou com o dólar em alta, aproximando-se de R$ 5,60, mas recuou após o início do discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole. Por volta das 16h, a moeda caia 1,9%, vendida a R$5,48. Até o início do discurso, a percepção dominante entre os investidores era de que o Fed optaria por cortes graduais e de menor magnitude na taxa de juros, com 73% do mercado apostando em uma redução de 0,25 ponto percentual. Essa expectativa havia alimentado a alta nos rendimentos das Treasuries, tornando os títulos do Tesouro americano mais atraentes e impulsionando o dólar em relação a outras moedas.
Jerome Powell declarou que “chegou o momento de ajustar a política monetária”. Ele observou que, apesar de a inflação ainda não estar totalmente sob controle, ela recuou significativamente e se aproxima da meta de 2%. Embora o mercado de trabalho permaneça sólido, Powell alertou para o aumento dos riscos de desaceleração econômica e do enfraquecimento das condições no mercado de trabalho. “O abrandamento das condições do mercado de trabalho é inegável. Os ganhos de emprego continuam sólidos, mas desaceleraram este ano”, disse. Segundo ele, “parece improvável que o mercado de trabalho seja uma fonte significativa de pressões inflacionárias no futuro próximo”. Powell ainda completou dizendo: “O nível atual de nossa política nos dá ampla margem para reagir a qualquer risco que possamos enfrentar, incluindo a desaceleração da economia e o enfraquecimento das condições no mercado de trabalho”. O discurso gerou especulações entre investidores sobre a possibilidade de um corte mais agressivo, de até 0,50 ponto percentual, nas taxas de juros na próxima reunião do Fed em setembro. Isso gerou uma mudança abrupta nas expectativas, com a ferramenta FedWatch registrando um aumento significativo na probabilidade de um corte mais profundo, agora visto como possível por 32,5% dos investidores.
Um corte de juros de maior magnitude nos Estados Unidos tem implicações profundas para o mercado cambial. Ao reduzir o retorno dos títulos americanos, o Fed diminui a atratividade do dólar como moeda de reserva. Investidores, buscando melhores rendimentos, tendem a migrar para ativos de países com taxas de juros mais elevadas. No cenário atual, o Brasil desponta como um destino preferido, com a taxa Selic em patamares elevados, atraindo um volume crescente de capital estrangeiro para a B3. Esse fluxo de investimentos é um dos fatores que explicam os recentes recordes do Ibovespa.