Petrobras sobe com alta do petróleo, mas reajuste nas bombas deve demorar
Analistas dizem que movimento é positivo para a estatal no curto prazo com possíveis riscos no caminho da companhia
As ações da Petrobras sobem no pregão desta segunda-feira, 2, em meio à disparada do preço do petróleo, impulsionada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em resposta, o regime iraniano retaliou com ataques a bases americanas em países do Oriente Médio e também bombardeou Israel. Analistas ouvidos por VEJA afirmam que o movimento é positivo para a Petrobras no curto prazo, mas alertam para riscos aos ganhos da companhia caso o reajuste de preços demore a ocorrer.
Por volta das 16h20, os papéis da estatal avançavam 3,9%, a 40,86 reais. No mesmo horário, o petróleo subia 6,48%, a 77,59 dólares o barril. Até o momento, três navios haviam sido danificados ao tentar cruzar o estreito Ormuz, e um marinheiro morreu. Cerca de 200 embarcações aguardam definição e permanecem ancoradas na região. Em resposta à escalada do conflito, a Opep anunciou que aumentará a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril de 2026.
Para Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, a alta do petróleo favorece a Petrobras no curto prazo, já que a companhia tende a reajustar os preços dos combustíveis nas refinarias. No entanto, a política atual difere da adotada até 2022. Entre 2016 e 2022, a empresa utilizava o Preço de Paridade de Importação (PPI), que atrelava os valores internos às cotações internacionais, com repasse praticamente imediato.
Implementada nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, essa política contribuiu para a disparada dos combustíveis e culminou na greve dos caminhoneiros. Sob pressão, a estatal alterou o modelo no governo Lula. A empresa segue considerando o mercado internacional como referência, mas passou a adotar o Preço de Paridade de Exportação (PPE), que desconsidera o frete e leva em conta apenas o valor da commodity. Além disso, os reajustes passaram a ocorrer de forma mais gradual, após maior estabilização das cotações.
No fim de janeiro, a gasolina era vendida com prêmio de 1% em relação ao preço internacional, quando o petróleo estava a 69 dólares por barril e o dólar, a 5,19 reais. Agora, com a alta da commodity, a estatal pratica uma defasagem de 17% ante o mercado externo. “Essa diferença tende a pressionar as receitas da Petrobras se for mantida por muito tempo”, afirma Novais.
Especialistas consideram difícil estimar quando um eventual reajuste será aplicado ou qual será sua magnitude. “O conflito segue em curso e novos desdobramentos podem surgir, o que torna improvável uma estimativa precisa, já que o petróleo pode subir ainda mais”, diz Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos.
Sigu acrescenta que a valorização do petróleo pode ampliar a margem de lucro da Petrobras caso haja repasse aos preços internos. Segundo ele, o ganho poderia variar entre 5 e 15 pontos percentuais na margem. “Isso ocorre porque a Petrobras também compra petróleo, além de vendê-lo”, explica.
De forma geral, analistas avaliam que a alta da commodity tende a fortalecer receitas e lucratividade da Petrobras no curto prazo. Porém, sem reajustes em prazo razoável, o cenário pode se inverter, sobretudo porque a companhia ainda importa derivados, como diesel, o que pode pesar os resultados se não houver reajuste.





