ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Petrobras anuncia reajuste de R$ 0,10 no preço do diesel

O litro do combustível passa a custar, em média, R$ 2,2470, com reajuste de 4,8%, índice abaixo dos 5,7% anunciados na semana passada

Por da Redação 17 abr 2019, 19h26 | Atualizado em 3 jul 2026, 11h36
Petrobras anuncia reajuste de R$ 0,10 no preço do diesel Priorize VEJA no Google

Após a interferência da semana passada de Jair Bolsonaro na política de preços da Petrobras, que fez a companhia voltar atrás no reajuste divulgado, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, anunciou nesta quarta-feira, 17, aumento de R$ 0,10 no preço do diesel nas refinarias, para, em média, 2,2470 reais o litro. O novo valor já entra em vigor a partir de amanhã. 

O reajuste é de 4,8%, em média, abaixo dos 5,7% que foram anunciados na semana passada e depois cancelados. Naquele dia, o aumento seria de R$ 0,12 –de 2,1432 reais para 2,2662 reais por litro. Segundo Castello Branco, a alta foi menor porque o frete marítimo caiu.

O presidente da Petrobras afirmou que não houve perda com o adiamento do reajuste do diesel, devido ao hedge (instrumento do mercado financeiro de proteção contra perdas) feito pela companhia. “A Petrobras teve perda zero.”

Segundo a petroleira, o preço estabelecido representa, em média, 54% do valor do diesel nos postos de serviço. A companhia informou ainda que o preço médio do diesel ao consumidor no Brasil é 13% menor do que a média global, havendo 105 países com preços superiores. “A Petrobras reafirma a rigorosa observância do alinhamento de seus preços com a paridade internacional”, segundo comunicado da empresa ao mercado financeiro.

Continua após a publicidade

Castello Branco informou que a estatal passará a divulgar os reajustes em reais por litro, e não mais em percentual, como era feito até a semana passada. “Não existe caixa-preta na Petrobras”, afirmou o executivo.

Questionado sobre o reajuste no diesel impactar na decisão dos caminhoneiros de fazer nova greve, Castello Branco afirmou que foi justamente essa preocupação que o fez adiar o ajuste na semana passada. “Todos nós sofremos com a greve dos caminhoneiros no ano passado. Foi com base nisso que sustei o ajuste”, disse.

Continua após a publicidade

O executivo ressaltou também que só vê greves desse tipo em países como Brasil e França, onde o refino é estatal. “Já reclamei da solidão no refino, sou contra o monopólio”, disse.

 

Continua após a publicidade

Mercado financeiro

O anúncio do aumento do diesel deve impactar positivamente no mercado financeiro. Segundo o diretor da Mirae Asset, Pablo Spyer, é bom para a economia que não haja interferência na cotação de preços das estatais. “A diferença pequena (entre o reajuste de 5,7% anunciado na semana passada e o de hoje, de 4,8%) mostra que a Petrobras tem o controle sobre seus preços.”

Para Spyer, a interpretação do mercado é que esse adiamento “não foi uma decisão econômica, e sim uma decisão política, estratégica, para evitar uma paralisação por parte dos caminhoneiros”.

Pacote de medidas

Na terça-feira, 16, o governo federal anunciou um pacote de medidas para atender o setor de transporte de cargas. Entre elas, liberou 500 milhões de reais para uma linha de crédito voltada aos caminhoneiros via BNDES. Cada um poderá pegar empréstimo de até 30.000 reais para a manutenção de veículos e compra de pneus. Além disso, também foi anunciada uma verba de 2 bilhões de reais para obras em estradas.

Continua após a publicidade

A medida, porém, não agradou aos caminhoneiros, que já articulam uma nova paralisação em todo o país. “Nada do que anunciaram nos ajuda. É um avanço conseguir dinheiro a baixo custo no BNDES? É. Mas hoje mais da metade dos caminhoneiros está com o nome no Serasa, porque não consegue pagar o caminhão”, afirmou o caminhoneiro Wanderlei Alves, conhecido como Dedéco, que foi considerado um dos líderes da greve de 2018.

Entenda o caso

Na quinta-feira, 12, a Petrobras anunciou um reajuste de 5,7% no preço do óleo diesel, mas mudou de ideia horas depois. A alta no preço do combustível seria a maior desde que os presidentes da República, Jair Bolsonaro, e da petroleira, Roberto Castello Branco, assumiram os cargos, e mediante a tensão com os caminhoneiros, Bolsonaro admitiu ter ligado para Castello Branco para conversar sobre o valor. Um dia após o episódio, as ações da Petrobras despencaram e a estatal perdeu 32 bilhões de reais em valor de mercado em apenas um dia.

Continua após a publicidade

No mês passado, a Petrobras, a pedido do governo diante de ameaça de greve dos caminhoneiros, estendeu o prazo de reajuste do combustível. A companhia se comprometeu a não fazer reajustes inferiores a 15 dias. Anteriormente, a empresa adotava uma política de mantê-los estáveis por curtos períodos de tempo de até sete dias. 

A Petrobras tem informado que sua política de preços busca a paridade de importação, tendo como referência indicadores internacionais como câmbio e petróleo, em busca de rentabilidade. Eventuais perdas com a manutenção dos preços seriam evitadas com hedge.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo o site da revista, sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetidoBanner de Black Friday com fundo roxo e preto, exibindo a palavra BLACKFRIDAY repetida. À direita, um laptop prateado com uma imagem de carro na tela, um smartphone com um site de notícias e uma revista Veja aberta com uma foto de comida.
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).