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Parlamento grego aprova orçamento de olho em nova ajuda

Proposta que contém medidas adicionais de austeridade pavimenta caminho para um novo pacote de auxílio. Mas credores ainda precisam se entender

O Parlamento da Grécia aprovou neste domingo, por 167 votos a favor e 128 contrários, o orçamento nacional para 2013 que contém novas e profundas medidas de austeridade fiscal. A ratificação pavimenta o caminho para que o país receba uma futura ajuda financeira de 31,2 bilhões de euros da União Europeia (UE), do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em profunda recessão, os recursos são cruciais para que o país consiga honrar pagamentos que vencem dentro de cinco dias.

Protestos – Enquanto os parlamentares gregos avaliavam a proposta – um misto de nova redução de gastos públicos, com cortes em aposentadorias, salários e benefícios, além de medidas de elevação de impostos -, a população saiu novamente às ruas para protestar. Em Atenas, mais de 100 mil manifestantes reuniram-se diante da sede do Parlamento grego para mostrar seu descontentamento. Após várias rodadas de arrocho fiscal, que só fizeram com que a economia afundasse mais e mais, a população agora custa a acreditar que novas medidas serão efetivas. A Grécia tem hoje uma taxa de desempenho que ultrapassa 25% e está em seu quinto ano consecutivo em recessão.

Problemas – Ainda que o orçamento tenha passado pelo Parlamento, um desentendimento entre os credores da Grécia pode atrasar a entrega da ajuda financeira. Fontes de Bruxelas e de outros pontos do continente sugerem que a UE, o BCE e os funcionários do FMI – grupo apelidado pelos gregos de ‘troika’ – têm sido incapazes de chegar a um acordo sobre a liberação do dinheiro.

O Eurogrupo – o bloco formado por todos os ministros das Finanças da zona do euro – reúne-se nesta segunda-feira em Bruxelas para discutir a situação do país e avaliar as propostas aprovadas em Atenas. “A Grécia fez o que lhe foi pedido e agora é o momento para os credores honrarem seus compromissos”, afirmou neste domingo o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras.

Os principais credores da Grécia vêm apresentando resistência à entrega de mais recursos ao país diante do temor de que os gregos não consigam reduzir a relação dívida/PIB. A sustentabilidade da dívida grega, que deve chegar a 120% do PIB em 2020, é a condição imposta pelo FMI para seguir no programa de resgate da nação.

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Vencimento – Samaras advertiu que o país necessita de mais dinheiro antes de 16 de novembro – data em que vence uma dívida de 4,1 bilhões de euros com o BCE. Mais uma vez pressionados pela eventual saída da Grécia da zona do euro, os demais países europeus comprometeram-se a evitar que o país declare o calote.

Segundo fontes, não deve haver acordo na reunião desta segunda para o desbloqueio da ajuda. Após a aprovação, na última quarta-feira, do pacote de 18,1 bilhões de euros em ajustes, a Grécia acreditava que receberia o dinheiro de imediato. Contudo, UE e FMI acharam os ajustes insuficientes.

Devido à demora de seus sócios em tomar uma decisão, Atenas anunciou que emitirá novas letras, com vencimento de um a três meses. Um bom resultado das emissões poderá salvar o país de inadimplência, caso não obtenha auxílio a tempo.

Discute-se nesse momento, nos corredores de Bruxelas, a sustentabilidade da dívida grega. “O relatório do grupo de credores institucionais sobre a sustentabilidade da dívida ainda não está pronto”, afirmou um fonte próxima das negociações. “Uma vez que haja um acordo de que houve evolução da relação dívida/PIB de modo a torná-la sustentável, poderemos dizer que estamos prontos para desembolsar a ajuda”, completou.

O mais provável é que haja uma segunda rodada de negociações depois de 12 de novembro, afirmou a fonte.

Dívida – O FMI espera que a Grécia tenha condições de reduzir sua dívida para 120% de seu PIB em 2020. Apesar do arsenal de medidas que buscava oficialmente sanear as contas da Grécia, a comissão europeia publicou na quarta-feira previsões preocupantes sobre a evolução da dívida pública do país.

Segundo os prognósticos, a dívida chegará a 188,4% do PIB em 2013, e em 2014 a 188,9%. Desta maneira, o objetivo do FMI de reduzi-la a 120% em 2020 seria praticamente um delírio. O porta-voz comunitário, Simon O’Connor, disse esperar que o grupo conclua seus trabalhos nos próximos dias.

Contudo, o membro mais poderoso do fórum de ministros de Finanças da zona do euro, o alemão Wolfgang Schauble, disse quinta-feira que não espera um acordo sobre uma nova ajuda internacional à Grécia antes de várias semanas.

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(com Agence France-Presse)