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Orçamento do brasileiro muda e gasto com alimentação cai

Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE, revela o que mudou na renda e nos gastos das pessoas.

Gastos com alimentação comprometem hoje uma fatia menor da renda das famílias brasileiras, aponta pesquisa do IBGE.

Os gastos com alimentação comprometem uma fatia menor da renda das famílias brasileiras, ao passo que outras despesas, como as com habitação, pesam mais hoje que no passado. Estas são conclusões da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE.

De acordo com a pesquisa elaborada em 1974/1975, as despesas com alimentos respondiam por 33,9% dos gastos com consumo das famílias. Na última POF, esse comprometimento recuou 14 pontos porcentuais, para 19,8%.

O avanço foi maior na área rural, onde o valor despendido pelas famílias com alimentação passou a corresponder a 37,6% de seu gasto total em 2008/2009 . Ocorre que, 1974/1975, essa parcela equivalia a mais de metade das despesas, mais especificamente 53,2%. Desta forma, a diminuição do comprometimento foi de quase 16 pontos porcentuais.

Na última pesquisa, 64,5% das famílias disseram que possuíam alimentos suficientes para chegar ao fim do mês – acima da porcentagem de 53% verificada em 2002/2003. Ainda no levantamento mais recente, 75% das famílias declararam ter algum grau de dificuldade para chegar ao fim do mês com seus rendimentos.

Outras despesas passaram a pesar mais no bolso dos brasileiros. Ganharam espaço os gastos com habitação, que passaram de 30,4% para 35,9%; e com transporte, de 11,2% para 19,6%.

A POF 2008/2009 revelou que 35,5% das famílias vivem em situação de “insuficiência da quantidade de alimentos consumidos”. A boa notícia é que esta parcela vem diminuindo. Na POF 2002/2003, 46,7% das famílias consultadas enquadravam-se nesta condição.

Houve redução em todas as regiões. O destaque ficou para o Sudeste, onde, em 2003, os alimentos eram insuficientes para 43,4% das famílias e esta fatia recuou para 29,4% em 2008/2009. O Norte, apesar de liderar neste quesito, também mostrou avanço. O dado mais recente aponta 51,5% das famílias nesta situação de insuficiência, contra 63,9% na pesquisa realizada seis anos antes.

Rendimento – Em 2008/2009, o rendimento médio mensal familiar no Brasil era de R$ 2.641,63. As famílias com menor rendimento (40% do total) possuíam despesa per capita de R$ 296,35. Os 10% com maiores rendimentos declararam ter, por sua vez, despesa mensal de R$ 2.844,56 – uma diferença de quase 860%.

Em média, a família brasileira gasta R$ 2.626,31 por mês. O maior desembolso é o das famílias do Sudeste, de R$ 3.135,80 – quase o dobro do que gastam as do Nordeste, que têm a menor despesa, de R$ 1.700,26.