Operadores hoteleiros cobram regulamentação de aluguéis de temporada em fórum de VEJA no Rio
Primeiro painel do evento foi marcado por análises de especialistas do mercado sobre o panorama turístico do Rio de Janeiro
O primeiro painel do evento VEJA Fórum de Turismo, realizado nesta quinta-feira, 19, no Rio de Janeiro, foi marcado por análises de especialistas do mercado sobre o panorama turístico da cidade. Participaram o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio de Janeiro (Abav-RJ), Marcelo Siciliano; o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), José Domingo Bouzon; e o CEO da Atlantica Hotels, Eduardo Giestas, com mediação de editores de VEJA.
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Siciliano abriu o painel, chamado “As demandas dos operadores turísticos”. Ele frisou a importância da tecnologia como “uma aliada, não uma concorrente”, embora tenha afirmado que um bom agente de viagem é insubstituível. O presidente da Abav-RJ disse que os clientes preferem “um tratamento mais humanizado”, acrescentando que cabe ao agente entender as exigências de cada turista e mostrar os destinos para além do óbvio, em um momento em que o consumo está cada vez mais personalizado.
Hoje, segundo Siciliano, a tendência são os serviços nichados, especializados em determinadas localidades. Siciliano ponderou que os profissionais podem, sim, fazer uso da Inteligência Artificial (IA) e do Google, mas salientou que as ferramentas não podem definir o roteiro.
“Um bom agente (de viagem) é mais importante do que qualquer tiktoker, influencer e inteligência artificial”, apontou, relembrando quando, na pandemia de Covid-19, os agentes foram essenciais para solucionar problemas de pessoas que tinham viagens agendadas. “O cliente pode se frustrar se preparar uma viagem só com base em vídeos do TikTok.”
Na sequência, Bouzon mostrou como o Rio de Janeiro tem ganhado reconhecimento internacional como uma vitrine de grandes eventos, como a Cúpula dos Líderes do G20 em novembro de 2024. No ano passado, a cidade bateu recorde no número de turistas estrangeiros, com mais de 2 milhões de pessoas. A expectativa é de que, na temporada 25/26, o número de visitantes seja de 4,5 milhões.
O presidente da Abih, no entanto, destacou a importância de uma segurança reforçada. Ele defendeu que os dados da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH), enviada à Polícia Federal, que sejam checados minuciosamente para aumentar a proteção de hóspedes. A ideia é que criminosos não se aproveitem da hospedagem para cometer crimes nas proximidades ou pela cidade. Além disso, indicou a necessidade da regulamentação de aluguéis de curta temporada. A falta de regras, segundo Bouzon, é uma “porta aberta para o crime”.
Já o CEO da Atlantica Hospitality International, Eduardo Giestas, explicou que, apesar da retração do setor hoteleiro nos últimos anos, as perspectivas para o futuro são positivas. “O setor hoteleiro foi muito incompetente na gestão de preço e se autodestruiu, mas o futuro é promissor. A gente está projetando um ciclo de cinco a dez anos de expansão”.
Giestas prevê um aumento da lucratividade dos hotéis a partir do aquecimento do setor de eventos e de uma mudança estrutural de demanda, relacionada com a superação da pandemia e com as novas gerações entrando no mercado consumidor de viagens. Assim como Bouzon, ele ressaltou a necessidade da regulamentação de empresas de aluguel de imóveis por temporada Airbnb.
“Essas plataformas, como Airbnb, surgem de um vácuo regulatório. O que a gente tem que brigar é pela competição igualitária, saudável. Tem espaço para todo mundo. O segmento da hotelaria é tradicionalista e não é um segmento que se renova com muita rapidez, isso é fato”, disse Giestas.
O evento chega em um bom momento. No ano passado, a indústria brasileira do turismo registrou um faturamento recorde de 185 bilhões de reais. O fluxo de turistas estrangeiros também foi o maior da história com quase 10 milhões de visitantes. O VEJA Fórum de Turismo, engajando em especial o setor empresarial, soma esforços a outras iniciativas para que o Brasil consolide esses bons resultados, transformando-os em novas oportunidades de crescimento.





