Operação Fim da Fábula prende 12 pessoas suspeitas de integrarem esquema de estelionato digital
Bloqueio judicial pode alcançar bilhões dependendo do saldo existente nas 86 contas
A Polícia Civil e o Ministério Público se uniram nesta terça-feira (24) e prenderam 12 pessoas suspeitas de integrar uma associação criminosa especializada em golpes digitais. A Operação Fim da Fábula cumpriu 120 mandados de busca e apreensão, além de 53 prisões temporárias.
Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o grupo adotava o modelo de lavagem em camadas, com transferências de recursos entre familiares, empresas de fachada e contas de terceiros que dificultavam o rastreio do dinheiro. “Tivemos que aplicar a estratégia de ‘seguir o dinheiro’ para desvendar toda a engrenagem criminosa”, explicou o delegado e diretor do Deic, Ronaldo Sayeg.
O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp) identificou pelo menos 36 imóveis que tinham ligação direta com os investigados e inclusive estavam registrados em nome de “laranjas”. Veículos, embarcações, joias e dinheiro em espécie também foram apreendidos.
As medidas de apreensão foram autorizadas pela 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista. Considerando um teto de 100 milhões de reais por conta, o bloqueio judicial pode alcançar bilhões dependendo do saldo existente nas 86 contas.
Os mandados seguem em andamento e são cumpridos em cidades como Arujá, Atibaia, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Praia Grande, Santo André, São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto, São Paulo e São Vicente (SP); em Capitólio e Nova Lima (MG); e em Brasília.
Ainda segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o trabalho começou pela identificação dos núcleos estratégicos que eram responsáveis por coordenar as ações dos criminosos. O segundo passo foi mapear os executores dos golpes, operadores financeiros e os integrantes que se encarregavam de ocultar o patrimônio. “A união de esforços é o único caminho para asfixiar o capital dessas organizações e combatê-las de forma efetiva”, afirmou Ivan Francisco Pereira Agostinho, subprocurador-geral de Justiça Criminal do Ministério Público.





