O valor de cada grão: Inpasa cresce com bioenergia
Empresa inova com biorrefinarias que transformam milho e sorgo em etanol, energia e produtos, reduzindo impacto ambiental
Os planos de crescimento da Inpasa vêm acompanhados de esforços para reduzir o impacto ambiental de suas operações. “Nosso modelo de biorrefinaria aproveita o milho e o sorgo para produzir etanol e ingredientes para nutrição animal, além de eletricidade, biogás e óleos vegetais que servem de base para o diesel verde e o SAF (sigla em inglês para combustível sustentável de aviação)”, afirma Eder Lopes, presidente da empresa. De 2021 a 2025, a produtora de biocombustíveis reduziu em 59% as emissões de carbono por tonelada de cereal processada nos escopos 1 e 2, que abrangem as operações diretas e a energia adquirida. Ao mesmo tempo, a companhia vem obtendo resultados financeiros robustos. Em 2025, teve receita líquida de 22,6 bilhões de reais e lucro líquido de quase 5 bilhões de reais, desempenho que a colocou no alto do ranking TOP30 entre as empresas do setor de Bioenergia.
Nas unidades industriais, a eletricidade é gerada a partir da biomassa. A energia que não é consumida nas próprias operações é direcionada à rede elétrica, em um modelo de economia circular que reduz custos e a pegada de carbono. “É esse compromisso com a sustentabilidade que tem colocado o etanol de milho brasileiro em grande vantagem, destravando, por exemplo, a aprovação para o uso do combustível no transporte marítimo”, afirma Lopes. Recentemente, a Organização Marítima Internacional reconheceu o etanol brasileiro de milho de segunda safra como alternativa para abastecer embarcações. A decisão, inédita para um biocombustível, abre novas oportunidades comerciais em um setor pressionado a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.
A competitividade do produto brasileiro começa no campo. “O modelo de segunda safra permite que o país produza proteína vegetal, combustível e ração animal no mesmo hectare, sem a necessidade de abrir novas terras cultiváveis”, diz Ricardo Pierozzi, diretor-executivo e sócio da consultoria BCG. Há ainda uma vantagem energética: enquanto a produção americana depende mais do gás natural, usinas brasileiras, como as da Inpasa, podem usar biomassa para gerar calor, reduzindo a emissão de carbono do etanol.
A combinação entre fartura de matéria-prima, aproveitamento da segunda safra e menor intensidade de carbono sustenta a nova etapa de expansão da Inpasa. A companhia opera seis unidades no Brasil — distribuídas por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Bahia — e duas no Paraguai, ao mesmo tempo que prepara novas biorrefinarias em Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT). A meta é chegar a 2027 com dez usinas em funcionamento, ampliando não apenas a produção de etanol, mas também a oferta de ingredientes para nutrição animal, biogás e eletricidade. Com isso, a Inpasa procura ganhar escala em diferentes mercados e transformar a produção de energia renovável em uma frente cada vez mais importante da bioeconomia brasileira.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







