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O que se sabe sobre o acordo comercial entre Índia e União Europeia — e os seus efeitos

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyer, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se encontraram nesta segunda-feira, 26

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 12h01 •
  • A Índia, país mais populoso do mundo, e a União Europeia (UE) estão próximas de concluir as negociações para um acordo de livre comércio. A finalização do processo pode ser anunciada na terça-feira, 27, na Cúpula Índia-UE, que acontece em Nova Deli. As duas potências globais têm sido pressionadas pela postura comercial dos Estados Unidos, que impõem tarifas de importação contra seus produtos desde o ano passado.

    O acordo inédito deve turbinar a relação bilateral entre indianos e europeus em uma realidade geopolítica cada vez mais fragmentada. Se ratificada, a medida agregaria populações de 1,45 bilhão de pessoas e 450 milhões de pessoas, de Índia e UE, respectivamente. Não à toa, autoridades a apelidaram de “a mãe de todos os acordos”.

    A Índia e os 27 países da União Europeia avançaram nas tratativas no início deste ano, incluindo “uma maratona de dois dias de conversas intensas”, segundo o comissário de comércio da UE, o eslovaco Maros Sefcovic. “Houve bons avanços. Há cada vez menos questões pendentes. Seguiremos trabalhando intensamente nos próximos dias”, escreveu o europeu na rede social X (ex-Twitter) na primeira semana de janeiro. Com isso, cresceu a expectativa para um anúncio oficial ainda neste mês.

    O Ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, emitiu uma declaração semelhante à do colega europeu: “Fizemos bons avanços e proporcionamos uma orientação estratégica às nossas equipes de negociação, e reafirmamos nossa firme determinação política em alcançar um acordo justo, equilibrado e ambicioso”, disse em janeiro.

    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se encontraram em Nova Déli nesta segunda-feira, 26, para a celebração do Dia da República da Índia, logo antes da possível conclusão do acordo.

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    Um dos principais pontos trazidos no acordo comercial se refere à indústria automobilística europeia. Atualmente, a Índia impõe tarifas bastante restritivas, de até 110%, contra veículos estrangeiros. Aliada à uma cota de importação de 200 mil automóveis, a alíquota sobre carros à combustão pode cair imediatamente para 40% a partir do firmamento do acordo, segundo informação da agência de notícias Reuters. Carros elétricos, por outro lado, não devem contar com redução de tarifas por cinco anos a fim de proteger investimentos recentes na indústria indiana.

    Do lado indiano, o país deve ser beneficiado principalmente na exportação das indústrias têxtil e de joalheria. A União Europeia já é o maior parceiro comercial dos indianos, representando mais de 11% das transações internacionais do país. A Índia também espera que suas vendas de produtos farmacêuticos para a Europa sejam facilitadas pelo acordo.

    As negociações entre o bloco europeu e a Índia coincidiram com a aprovação do acordo Mercosul-UE pela Comissão Europeia, assinado no dia 17. Ambos os tratados fazem parte da mesma estratégia de diversificação comercial em meio à hostilidade do governo americano, comandado por Donald Trump.

    O acordo que envolve o Brasil sofre resistência no Parlamento Europeu, braço legislativo da UE, que pede que a Justiça local avalie a legalidade do que foi negociado entre os blocos — atrasando a ratificação.

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