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O que os fundos com maior rendimento no ano têm em comum

Nove dos dez com maiores ganhos até outubro investiram em empresas estrangeiras. No ano, o Ibovespa teve queda de 18,76%, enquanto o S&P 500 cresceu 44,63%

Por Luisa Purchio Atualizado em 27 nov 2020, 12h35 - Publicado em 27 nov 2020, 12h30

Com a queda na taxa básica de juros, buscar investimentos fora da boa e velha poupança e dos fundos de renda fixa passaram a ser um exercício para o brasileiro que cuida do seu dinheiro. Tanto que, o número de investidores individuais na bolsa de valores bateu recorde. O mercado de renda variável, além das ações individuais, conta com fundos de investimentos, em que um gestor é responsável por operar o dinheiro. Segundo ranking elaborado pela VEJA a partir de dados fornecidos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), nove dos dez fundos de ações livres com maior rendimento de janeiro a outubro de 2020 têm em comum o fato de investirem em BDRs, ou seja, papéis que representam empresas no exterior. A recuperação mais rápida das bolsas de Nova York, em comparação ao Ibovespa, é a principal responsável por esse rendimento.

Do início do ano a 30 de outubro, o Ibovespa caiu 18,76% em real, enquanto o S&P 500, um dos principais índices da bolsa americana, teve crescimento de 1,21% em dólar. Em real, o rendimento do S&P 500 foi ainda maior, um crescimento de 44,63%. Entre as principais ações que cresceram este ano estão as Big Techs e empresas cujos serviços passaram a ser mais demandados com o isolamento social.

“Antes o investidor brasileiro só investia em empresas brasileiras. A Covid-19 mostrou que é muito importante diversificar, todos os que investem de forma global, não apenas BDRs, estão captando”, diz Leonardo Otero, sócio da Arbor Capital, gestora que ocupa o topo do ranking com o fundo Arbor Global Equit FI Ações BDR NIVEL I, cuja rentabilidade foi de 74,96% nos últimos doze meses — sobre as rentabilidades consideradas no ranking, é importante citar que já foram descontadas todas as taxas, como a de administração da gestora, e que incidirá o imposto de 15% sobre o rendimento no momento do resgate. De acordo com Otero, o fundo que tem 850 cotistas investe em cerca de 20 ações, 12 delas BDRs de empresas como Salesforce, Spotify, Facebook, Google e Amazon, com foco no investimento em longo prazo. Além disso, ele tem como estratégia fazer hedge cambial, ou seja, proteger o investimento para que não sofra com alguma variação cambial. Caso não houvesse essa proteção, a rentabilidade do fundo seria ainda maior porque consideraria ainda a forte desvalorização cambial do real no acumulado do ano.

O segundo da lista é o fundo Western Asset FIA BDR Nível I, da gestora Western Asset, que teve no período rendimento de 61,61%. Criado em 2014, o patrimônio líquido era de 2,3 bilhões de reais, distribuídos entre 100 mil cotistas, na quinta-feira, 25. A estratégia da gestora é de investir 100% dos ativos em BDRs americanas. São 40 papéis, que incluem Amazon, Facebook, Microsoft, Visa, Disney e Nvidea. Além das empresas de tecnologia, o fundo possui ativos em bens não essenciais, serviços de comunicação e saúde. “Nós decompomos o retorno de fundo em três grandes fatores, a variação cambial, o desempenho do mercado acionário americano e a performance pela gestão ativa”, diz Mauricio Lima, gestor de portfólio da Western Asset. “Fazer uma diversificação geográfica e de moeda funciona como contrapeso ao risco, tanto dos ativos quanto do país. Temos no Brasil as questões fiscais que têm deixado os investidores receosos”, diz ele.

  • Em comum, além do investimento em papéis de empresas internacionais, os dois melhores fundos do ranking tiveram intensificação do interesse dos investidores quando as bolsas, principalmente americanas e de tecnologia, começaram a crescer recuperando a forte queda que ocorreu em março por conta da Covid-19. Em seis meses, a Western Asset captou 1,2 bilhão de reais, refletindo uma mudança de mentalidade do brasileiro na forma de investir, que ocorreu ao longo do ano e também levou muitas pessoas físicas para o Ibovespa. A Arbor Global captou nos últimos três meses 100 milhões de reais dos 200 milhões do fundo.

    A baixa Selic, a maior familiaridade da população com os ativos de renda de variável e a busca de diversificação foram as grandes responsáveis por essa mudança na aplicação de recursos. Além disso, há também o aumento de BDRs disponíveis no Brasil. Em 2014, elas eram cerca de 80 e atualmente são aproximadamente 500.

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