O que está por trás da alta na oferta de seguro de vida corporativo
Com mais coberturas, o benefício ganha destaque como arma na guerra das empresas por talentos
O aumento do interesse pelo seguro de vida corporativo pode ser explicado pela ampliação das coberturas e pela forma como o produto passou a ser percebido por empresas e funcionários. “O seguro de vida não é mais simplesmente uma garantia por morte ou invalidez. Há várias coberturas que o próprio funcionário recebe em vida”, afirma Stefano Convertino, diretor executivo da unidade de benefícios corporativos da Generali no Brasil.
Entre as novidades está a cobertura chamada “Eventos da Vida”. “Quando alguma coisa acontece, como o nascimento de um filho, por exemplo, a família recebe um valor, porque sabemos que o custo de ter um filho não é baixo”, diz o executivo. A Generali também passou a oferecer telemedicina dentro do seguro de vida. “A telemedicina é muito conhecida no seguro-saúde. Mas o seguro de vida não tinha essa assistência.”
Segundo ele, essa modernização ajuda a explicar o crescimento do produto. “Isso certamente é um dos principais motivos desse crescimento percebido no seguro de vida ao redor do mundo e também aqui no Brasil.”
O segmento de seguro de vida para multinacionais da Generali atingiu faturamento de R$ 140 milhões em 2025 e reúne mais de 150 empresas no Brasil. A expectativa é de crescimento anual em torno de 10%. “É algo que veio para ficar. Virou um benefício padrão”, afirma Convertino.
Pesquisa realizada pela Offerwise a pedido da Flash, com 200 profissionais de RH, também mostra essa tendência de alta. A presença do seguro de vida para cargos de diretoria ou superiores subiu de 26,1% em novembro de 2024 para 31,5% em novembro de 2025, uma alta de 5,4 pontos percentuais em um ano. Entre gerentes, o índice foi de 50,6% em novembro de 2025. Entre coordenadores e supervisores, 18%.
“O movimento que temos visto no mercado é de uma oferta de seguro de vida mais direcionada a cargos executivos”, afirma Kettilyn Oliveira, gerente de operações na Flash. “O benefício passa a compor um pacote mais completo, ligado à proteção financeira e à gestão de risco.”
A virada veio no pós-pandemia
Com a pandemia, houve um nítido aumento de interesse, segundo os especialistas. Segundo Convertino, antes desse período o seguro de vida não era visto da mesma forma. “Antes da pandemia talvez não houvesse essa visão. Hoje não, hoje mudou. É uma percepção clara de que o seguro de vida é fundamental para as pessoas.”
O executivo afirma que o produto também passou a fazer parte da estratégia de retenção. “O seguro de vida também faz parte desse pacote de benefícios para atrair talentos.”
Essa percepção não se limita às multinacionais. “Principalmente depois da pandemia, as empresas menores e as empresas locais também perceberam que é um benefício importante.”
Multinacional oferece benefício
A farmacêutica francesa Pierre Fabre, que tem cerca de 400 colaboradores no Brasil, oferece seguro de vida há pelo menos 15 anos. O benefício integra um pacote que inclui previdência privada, participação acionária anual, bônus por desempenho, auxílio-creche, auxílio-material escolar, auxílio-casamento e auxílio-vacina nos primeiros seis meses do bebê.
“O seguro de vida faz parte da nossa estratégia mais ampla de cuidado com pessoas”, diz Renata Sigilião, diretora de RH da empresa. “Não se trata apenas de um benefício adicional, mas de uma forma de demonstrar compromisso com o bem-estar e a segurança de quem trabalha conosco.”
Ela também viu o interesse dos funcionários no seguro de vida aumentar nos últimos anos. “Temos percebido que os colaboradores estão valorizando mais esse tipo de benefício e se interessando mais por saber sobre ele. As pessoas estão pensando cada vez mais em proteção e tranquilidade para elas e para suas famílias, especialmente depois da pandemia.”





