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O que é o ‘mercado’, por que ele reage aos terremotos da política e influencia a sua vida

Economista afirma que demonizar o mercado é simplificação e alerta para efeitos reais sobre renda, consumo e contas públicas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 dez 2025, 13h12 • Atualizado em 8 dez 2025, 13h12
  • No Mercado, programa da VEJA, a apresentadora Veruska Donato abriu uma discussão com uma provocação: afinal, quem é esse mercado que vive reagindo a decisões políticas e econômicas? A pergunta veio após nova rodada de volatilidade financeira, em meio ao debate sobre sucessão presidencial e riscos fiscais (este texto resume o vídeo acima).

    O economista André Galhardo, da Análise Econômica, rebateu a visão de que o mercado seria um ente preocupado apenas com seus próprios interesses — mas reconheceu seus exageros.

    Mercado não age por empatia, mas suas decisões chegam ao bolso de quem tem menos

    Galhardo foi direto ao ponto:

    “O mercado não está preocupado com quem ganha menos de um salário mínimo — mas isso não significa que ele seja irrelevante.”

    Segundo ele, movimentos como alta do dólar ou aumento dos juros têm efeito direto sobre o custo de vida, sobretudo da população mais vulnerável. Uma desvalorização brusca da moeda, por exemplo, encarece alimentos, combustíveis e transporte.

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    Assim, mesmo parecendo distante das preocupações do dia a dia, o mercado: impacta a inflação, que pesa mais sobre famílias de baixa renda, afeta salários e ganhos da classe média, influencia o nível de investimento e, portanto, a geração de emprego.

    “Peça central do jogo”: por que o mercado reage tanto a decisões políticas

    A polarização também chegou às análises financeiras, segundo Galhardo. Ele explica que o mercado passou a reagir de forma desproporcional a fatos políticos, como visto em outras ocasiões.

    Essa sensibilidade aumentada decorre, diz ele, da leitura de parte dos investidores de que: uma reeleição de Lula poderia manter o ajuste fiscal focado em receitas, não em despesas, o arcabouço fiscal tende a restringir investimentos públicos a partir de 2027, e nenhum dos possíveis adversários do presidente teria facilidade para promover reformas profundas nas despesas obrigatórias.

    “Minha dúvida é se qualquer alternativa ao atual presidente nos colocaria em condição muito melhor do ponto de vista fiscal”, afirmou.

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    Problema fiscal é estrutural — e vai exigir reformas de qualquer governo

    Galhardo destacou que o desequilíbrio fiscal brasileiro não é uma questão de “esquerda versus direita”, mas de estrutura econômica: despesas obrigatórias crescem de forma contínua, comprimindo o espaço de investimento.

    A preocupação aumenta se houver desaceleração forte da economia, o que reduziria arrecadação e pressionaria ainda mais as contas públicas.

    Polarização exagera reações e piora o ambiente para as famílias

    Segundo Galhardo, parte das reações explosivas do mercado nasce do ambiente político radicalizado. E esses solavancos acabam agravando justamente aquilo que os investidores dizem querer evitar:

    “Se a reação é para alertar sobre riscos à sociedade, ela mesma gera um ambiente ruim para as famílias de baixa renda.”

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    O economista concluiu defendendo menos demonização e mais racionalidade:

    “O mercado não é sempre o vilão, e o governo não é sempre irresponsável. Há muito mais a discutir — especialmente no campo estrutural.”

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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