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O petróleo da Venezuela e o novo alerta entre EUA, China e Rússia

A intervenção direta dos Estados Unidos eleva a temperatura de uma disputa que já vinha se intensificando

Por Veruska Costa Donato 7 jan 2026, 12h58 •
  • A promessa de levar até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano para os Estados Unidos recoloca a Venezuela no centro do xadrez geopolítico global. Mais do que energia, o movimento expõe uma disputa de poder com China e Rússia, ameaça contratos já existentes e adiciona uma nova camada de incerteza aos mercados em um ano marcado por eleições e tensões internacionais. O movimento tem potencial para prejudicar países que hoje compram petróleo de Caracas e reorganizar, à força, rotas de fornecimento já estabelecidas.

    Em entrevista ao Mercado, o economista-chefe da Fórum Investimentos, Bruno Perri, avalia que o maior risco não está em uma eventual escassez de petróleo para a China. “Os chineses têm musculatura para buscar o insumo em outros mercados”, o problema real é político, segundo Bruno. A intervenção direta dos Estados Unidos na Venezuela eleva a temperatura de uma disputa que já vinha se intensificando entre Washington e Pequim, além de Moscou.

    O que está por trás do discurso de Trump sobre a Venezuela?

    O pano de fundo do discurso americano mistura argumentos conhecidos — democracia, direitos humanos e combate ao narcotráfico — com uma guinada estratégica mais dura. Trump chegou a citar nominalmente a Doutrina Monroe, deixando claro que não pretende tolerar a presença de potências externas no hemisfério ocidental. A mensagem foi cristalina: América Latina como zona de influência direta dos Estados Unidos, com aviso explícito a chineses e russos. A facilidade com que Washington demonstrou capacidade de inteligência e poder militar na Venezuela reforçou esse recado e aumentou o desconforto entre as demais potências globais.

    A escalada da tensão dos investidores

    Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o episódio apenas confirma uma postura que já vinha sendo sinalizada pelo governo Trump ao longo do último ano. As informações de que os Estados Unidos teriam pressionado Caracas a interromper o fornecimento de petróleo para China e Rússia podem escalar a temperatura, “o simples fato de essa possibilidade estar em discussão já é suficiente para manter o mercado financeiro em compasso de espera”, alerta. Investidores tentam decifrar até que ponto o discurso inflamado de Trump se transformará em ação concreta ou se, como em outros episódios, haverá uma moderação posterior.

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