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O passado te condena: o que o tarifaço de Trump já causou e os efeitos agora

Decisão de impor uma tarifa ao aço e ao alumínio importados pelos EUA repete medida semelhante de 2018 que gerou estragos na economia

Por Juliana Machado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 fev 2025, 18h58 • Atualizado em 12 fev 2025, 19h01
  • O presidente americano, Donald Trump, decidiu impor uma tarifa de 25% sobre o aço e alumínio importados de todos os países, uma decisão que desagrada a maioria dos investidores, mas que não é exatamente nova. Na sua nova empreitada de protecionismo, Trump deixou os mercados em situação incerta, com um vaivém nas relações comerciais com o Canadá e o México e uma situação mais sensível com a China, que já impôs medidas retaliatórias. Outras nações, como a Austrália, buscam o diálogo.

    O tarifaço de agora é uma “versão 2.0” da decisão do primeiro mandato do republicano, em 2018, quando os EUA impuseram uma tarifa de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio. A medida, porém, não havia atingido o México e nem o Canadá e houve margem de negociação com alguns países, como o Brasil.

    O primeiro grande impacto da decisão de Trump é o setor siderúrgico dos EUA, que enfrenta dificuldade com as importações e os custos elevados e pode, por isso, se beneficiar no curto prazo, nota o family office Mirabaud, em carta recente a clientes. “Mas é necessário observar as perturbações econômicas mais amplas, incluindo preços mais altos e pressões inflacionárias”, diz. As importações de aço e alumínio atingiram US$ 109,5 bilhões em 2023, vindo principalmente do Canadá, China e México, seguidos por Brasil, Coreia do Sul e Alemanha.

    A Mirabaud destaca que, em 2018, os EUA impuseram uma tarifa sobre o aço e o alumínio que foram inicialmente implementadas para proteger as indústrias domésticas — mas que levaram a distorções econômicas severas. De um lado, a medida contribuiu para um aumento de US$ 2,7 bilhões nas receitas tarifárias. Por outro lado, também levou a custos mais altos nos insumos para fabricantes americanos, sobretudo em setores dependentes dos dois metais, caso do setor automotivo e de construção.

    “Estudos demonstraram que as tarifas levaram à perda de empregos nos setores ‘downstream’ (fase final da cadeia de produção), que superaram os ganhos de empregos nos setores protegidos”, diz o escritório.

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    Ainda segundo a análise, as tarifas retaliatórias aplicadas por parceiros comerciais, como China e União Europeia, “exacerbaram” as pressões econômicas na época, gerando redução da competitividade das exportações americanas e levando a perdas na agricultura e na indústria. Além disso, as tarifas alfandegárias aumentaram os preços ao consumidor, reduziram a produção da economia e enfraqueceram relações comerciais, sem que isso gerasse, na outra ponta, aumento na produção nacional de metais.

    Agora, analistas reforçam que Trump pode acabar repetindo a dose de impactos na economia americana e prejudicar outros países ao adotar um tarifaço ainda mais agressivo. No Brasil, diversas empresas devem ter diferentes impactos com a decisão, e o cenário macro também pode refletir uma nova realidade. “É fato que estamos falando de inflação mais alta nos EUA, sobretudo na construção civil”, diz Igor Rocha, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Para o Brasil, podemos ver um efeito nos preços do setor e, consequentemente, um impacto sobre a arrecadação.”

    As siderúrgicas nacionais, como CSN e Usiminas, eventualmente podem sofrer ao precisarem encontrar ou intensificar relações com outros países consumidores para fazer frente ao cenário. Já a Gerdau está na ponta oposta, uma vez que tem fábricas em território americano. A situação, porém, é tão sensível que, mesmo nesse caso, é preciso atenção redobrada.

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    “A Gerdau é tipicamente vista como uma beneficiada nesse contexto”, dizem os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi, do BTG Pactual, em relatório. “No entanto, lembramos aos investidores que não sabemos ainda o quanto vão durar essas tarifas ou como será o fluxo de notícias, e os fundamentos para o aço americano seguem pressionados no curto prazo, com a indústria rodando a 73% de capacidade.”

    Ainda segundo o BTG Pactual, os fundamentos para o aço no Brasil se deterioraram nos últimos tempos, com desconto relevante de 4% a 5% em janeiro nos preços dos vergalhões. “Enquanto a reação inicial seja de cobrir ‘shorts’ (posições vendidas, que ganham com a queda da ação) ou procurar por oportunidades rápidas, recomendamos cautela.”

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