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O Irã e o risco de ‘destruir o estreito de Ormuz’, segundo especialista

Adriano Pires é co-fundador do Centro Brasileiro de infraestrutura

Por Veruska Costa Donato 5 mar 2026, 12h40 • Atualizado em 5 mar 2026, 15h15
  • A escalada de tensão no Oriente Médio colocou novamente o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado de energia. O Irã afirmou ter atacado um petroleiro americano próximo à região e vem impedindo a passagem de navios na área. O temor maior é que a situação evolua para um ataque tão violento por parte do Irã que leve a destruição da rota, considerada uma das mais estratégicas do planeta.

    Impacto imediato

    Durante entrevista ao programa Mercado, o especialista em petróleo Adriano Pires do Centro Brasileiro de infraestrutura explicou que o impacto de qualquer interrupção ali seria imediato para o abastecimento global. “Passa ali entre 20% e 30% do petróleo comercializado no mundo. Então a gente está falando de 20 milhões a 30 milhões de barris por dia”, afirmou. Segundo ele, grande parte da produção do Oriente Médio depende dessa passagem para chegar aos mercados internacionais.

    Dependência

    A dependência é ainda maior entre os países produtores da região. “Cerca de 85% da produção da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes, do Bahrein, de quase toda a OPEP do Oriente Médio passa pelo Estreito de Ormuz”, disse Pires. Isso significa que qualquer bloqueio rapidamente provocaria turbulência no preço do petróleo e na logística global de energia.

    Estreito tem 33 km

    O especialista também chamou atenção para o tamanho da passagem marítima e para a facilidade de provocar um bloqueio. “O estreito é muito pequeno, tem cerca de 33 quilômetros. Se você explode dois navios ali dentro, qual vai ser a consequência?”, questionou. A avaliação é que poucos incidentes já seriam suficientes para paralisar o tráfego de petroleiros.

    Fertilizantes

    Além do petróleo, outros produtos essenciais passam pela mesma rota. “Não são só navios transportando petróleo. Também passam fertilizantes e ureia que vão para o Brasil”, explicou Pires. Em um cenário de interrupção prolongada, o impacto poderia atingir cadeias produtivas importantes, incluindo o agronegócio.

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    Risco de destruição de Ormuz

    Pires também fez um alerta sobre as consequências de um cenário extremo de destruição da passagem. “Vou torcer para que o Irã não cometa uma medida de efeito grave que além de fechar, destruir, por exemplo, o Estreito de Ormuz. Imagina ter ou fazer obras para recuperar o estreito depois do conflito?”, afirmou. Segundo ele, além da crise energética imediata, o mundo enfrentaria um problema logístico de longo prazo.

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