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O dólar vai voltar a subir, alertam economistas

Será que é hora de investir em ativos em moeda americana?

Por Veruska Costa Donato 14 abr 2026, 13h33 | Atualizado em 14 abr 2026, 13h35
  • O movimento recente da bolsa e do dólar tem uma explicação que passa diretamente pelo fluxo de capital estrangeiro. Segundo o professor Ricardo Rocha, quando há entrada de recursos no mercado acionário brasileiro, o impacto costuma ser duplo: valorização das ações e recuo da moeda americana. “Isso explica também a queda do dólar, o fluxo pra bolsa dólar cai. Essa correlação é direta”, afirmou. Na prática, mais dólares entrando no país aumentam a oferta da moeda, o que pressiona a cotação para baixo.

    Dinâmica quase automática

    Esse mecanismo ficou mais evidente com o avanço do mercado acionário e a queda recente da divisa. Para Rocha, a dinâmica é quase automática. “Entra dinheiro, bolsa sobe, dólar cai”, resumiu. O raciocínio é simples: investidores estrangeiros trazem recursos para comprar ações, a demanda eleva os preços e, ao mesmo tempo, a maior disponibilidade de dólares no mercado interno reduz o valor da moeda frente ao real.

    O nível do dólar

    O especialista em investimentos Bruno Shahini da Nomad observa que o nível atual da cotação chama atenção justamente por quebrar um período longo acima dos R$ 5,00. “Fazia tempo que a gente não via esse nível do dólar. Quase dois anos negociando acima de cinco”, disse. Para ele, o momento abre espaço para quem vinha esperando uma oportunidade. “Eu acredito que é um excelente momento para parar para comprar uma moeda estrangeira”, afirmou, ressaltando que muitos investidores utilizam essas janelas para iniciar ou reforçar posições.

    Carteira em dólar

    Apesar disso, Bruno destaca que o ponto central não é acertar o momento exato da cotação, mas manter exposição internacional. “O que a gente defende mais é aquele que é uma parcela estrutural em dólar dentro da sua carteira”, explicou. Segundo ele, a fatia dolarizada pode variar conforme o perfil do investidor. “Se vai ser 15%, 30%, 20%, depende um pouco do perfil do investidor. Ele naturalmente vai fazendo aportes em dólar.”

    O dólar vai subir

    Ainda assim, o especialista alerta que não vê espaço para uma trajetória contínua de queda da moeda americana ao longo do ano. “Eu não vejo assim que o dólar vai seguir uma tendência de queda esse ano como um todo, dado que a gente tem um ciclo eleitoral aí pela frente”, avaliou. A leitura reforça a ideia de que, mesmo com momentos de alívio, a moeda estrangeira continua sendo vista como componente relevante de proteção e diversificação nas carteiras.

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