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Sob risco de ficar mais caro, delivery pode encolher, segundo iFood

Em meio a debate no Congresso, pesquisa indica que aumento de preços reduziria pedidos nas plataformas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 mar 2026, 11h20 • Atualizado em 13 mar 2026, 11h24
  • A discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos no Congresso Nacional, que visa melhorar as condições de trabalho dos entregadores, pode encarecer as entregas de delivery no Brasil. Um dos pontos em debate envolve a criação de um valor mínimo destinado aos entregadores — proposta que, nas discussões atuais, pode chegar a 10 reais por entrega, com adicional de 2,50 reais por quilômetro percorrido. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer votar a regulamentação até o início de abril. Plataformas de delivery dizem que mudanças desse tipo resultariam em um aumento do preço final dos pedidos, e encomendam pesquisas para apoiar sua argumentação.

    Segundo o iFood, um eventual aumento do preço final ao consumidor poderia reduzir a demanda e aumentar a desistência de pedidos, principalmente entre consumidores da classe C, que já demonstram maior resistência a taxas mais altas. Uma pesquisa divulgada nesta semana pela empresa indica que o preço é hoje o principal fator na decisão de compra nos aplicativos.

    Entre os consumidores ouvidos em fevereiro, 67% afirmaram que reduziriam seus pedidos caso os valores subissem, enquanto outros 15% deixariam de usar as plataformas. Apenas 16,4% manteriam a mesma frequência de pedidos diante de um aumento. O valor final do pedido e o custo das taxas aparecem como os fatores mais sensíveis: a faixa de preço considerada mais aceitável para a taxa de entrega varia entre 4,99 reais e 8,49 reais, enquanto apenas 5% dos entrevistados aceitariam pagar mais de 12 reais por entrega.

    De acordo com o levantamento, 56,4% dos clientes que já desistiram de concluir pedidos apontaram o preço final como principal motivo, sendo a taxa de entrega uma das principais barreiras. A pesquisa ouviu 1.533 consumidores em todas as regiões do país e mostrou ainda que 35,2% gostariam de pedir comida por aplicativos com maior frequência; entre eles, 64,2% afirmam que motivos financeiros impedem o uso mais frequente. Nesse grupo, promoções, descontos, frete grátis e preços menores nos estabelecimentos aparecem como fatores capazes de estimular o consumo.

    O estudo também identificou diferenças entre eleitores de diferentes espectros políticos. Entre consumidores que se identificam com a esquerda, a maioria aceita pagar taxas entre 4,99 reais e 8,49 reais, mas apenas 3,5% dizem aceitar valores acima de 12 reais. Entre eleitores de direita, destaca-se a parcela que não paga taxa de entrega (19,8%); nas demais faixas de preço, os índices são semelhantes aos observados entre os consumidores de esquerda, enquanto 5,6% afirmam pagar mais de 12 reais.

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