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Nicolás Maduro confisca até o espírito de Natal

Às vésperas do fim do ano, falta de tudo nas prateleiras da Venezuela. Em vez de clientes, comércio espera a visita dos fiscais do regime

Por Da Redação - 24 nov 2013, 13h59

A um mês do Natal, os venezuelanos sofrem não apenas com a falta de opções de presentes nas lojas, mas também com uma dramática escassez de produtos básicos, que, segundo reportagem do jornal El Universal, de Caracas, chega a 98% em alguns casos.

Caracas registrou em outubro a mais alta escassez dos últimos três anos, em relatório do Banco Central venezuelano que avalia 19 produtos básicos. A indisponibilidade de leite pasteurizado, por exemplo, chega a 90,1%. A falta dos demais produtos varia entre 70% e 98%.

Com a economia do país fechada ao comércio exterior e a estatização das indústrias, a oferta não consegue atender à demanda e a inflação, estima-se, chega a 50%. O atual presidente, Nicolás Maduro, herdou uma crise econômica já em curso quando foi eleito para suceder Hugo Chavéz. Nos seis meses em que está no poder, Maduro seguiu a cartilha bolivariana e, em vez de reconhecer a falência do sistema econômico, atribui os problemas a “guerra econômica” tramada por inimigos externos.

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Entre 2002 e 2012 foram expropriadas 1.168 empresas, na maioria venezuelanas. Os últimos dados do Banco Central da Venezuela, de julho, mostraram que a escassez de alimentos fabricados por empresas estatais dobrou entre 2007 e 2013. A falta de azeite, açúcar, farinha de trigo e farinha de milho atingiu os patamares de 78%, 67%, 63% e 62%, respectivamente. Há seis anos esses níveis estavam em 53%, 25%, 14% e 5%, o que evidencia a piora dos últimos anos.

O jornal destaca ainda que tal realidade – redução do parque industrial e, consequentemente, da capacidade de produção – transformou a Venezuela em um país que precisa importar 70% de seu consumo.

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Natal – O comércio do país, diferentemente de outros anos, não se preocupa este ano com enfeites e ainda não decidiu se estenderá o horário de funcionamento em dezembro, como é de praxe. Os comerciantes, segundo o jornal El Universal, estão mais preocupados em receber a visita do comando militar de fiscalização do que felizes com o período de altas vendas que se aproxima. Há inúmeras restrições sobre importação e comercialização de produtos.

Além de as lojas de telefonia do City Market, centro comercial da capital, terem sido fechadas, as lojas de roupas, calçados, eletrodomésticos e eletrônicos estão com pouco estoque e mostruário. A compra de produtos por pessoa também está sendo controlada.

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