Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

Mulheres estão distantes dos cargos de liderança das empresas da Bolsa

Das 408 companhias de capital aberto no país, 61% não têm uma única mulher na alta direção, segundo levantamento da B3

Por Luana Meneghetti Atualizado em 8 out 2021, 17h07 - Publicado em 6 out 2021, 15h54

Muito se fala em ESG, sigla para “ambiental, social e governança” na tradução para o português. Na prática, a empresa que adota o critério ESG comunica para o mercado que possui estratégias responsáveis nesse tripé. Mas o discurso ainda não reflete a realidade de boa parte das companhias, ao menos no aspecto de governança. Das 408 companhias de capital aberto no país, 61% não têm uma única mulher na alta direção e 45% não têm participação feminina no Conselho de Administração, segundo levantamento realizado pela bolsa brasileira, a B3.

Segundo o estudo, divulgado nesta quarta-feira, 6, ainda considerando o quadro diretor das 408 empresas, 25% têm somente uma mulher e apenas 6% têm três ou mais mulheres. No âmbito do Conselho de Administração, 32% têm apenas uma mulher conselheira e somente 6% contam com três ou mais mulheres entre os conselheiros. A pesquisa atesta que as empresas ainda estão longe da diversidade, inclusão e equidade de gênero.

A questão da diversidade e equidade na remuneração nos cargos de alta administração e gerência foram incluídos em 2005 no ISE, quarto indicador ESG a ser lançado no mundo e o primeiro da América Latina. De lá pra cá, a ideia evoluiu na sociedade, mas ainda não saiu do papel institucional. Além de serem raras as mulheres em cargos de liderança, elas ainda recebem cerca de 77% do rendimento médio dos homens.

Os dados ficam ainda mais graves na análise por segmento de listagem. Entre as 190 companhias listadas no Novo Mercado – segmento com mais elevado patamar de governança corporativa -, 89% tem apenas uma ou nenhuma mulher no quadro diretor. No segmento Básico, as companhias com uma ou nenhuma mulher em cargos de direção somam 86%. No Nível II, esse percentual é de 87%, e no Nível I, de 67%.

“Acredito que o retrato obtido com esse levantamento nos mostra que, mesmo com uma preocupação crescente dos investidores e empresas, ainda temos um imenso trabalho a ser feito para avançar na pauta de diversidade e inclusão. Isso exige foco, estratégia e comprometimento de todos nós”, diz Gilson Finkelsztain, CEO da B3.

Compromisso

Das 408 empresas com ações negociadas no mercado brasileiro e que foram alvo da pesquisa na B3, há 2.596 cargos de conselheiros de administração, enquanto os de diretores somam mais de 2.126. Visando a diversidade nesses níveis hierárquicos, a B3 lançou mão de uma iniciativa para reverter esse cenário até 2026. “A B3 decidiu transformar a meta corporativa também num compromisso financeiro com nossos investidores ao lançar 700 milhões de dólares em bônus atrelados ao compromisso de atingir um percentual de 35% de mulheres na liderança até 2026”, comenta Ana Buchaim, diretora executiva de sustentabilidade, pessoas, marketing e comunicação da B3. Atualmente, apenas 27% mulheres ocupam cargos de liderança nas empresas da B3.

Por meio da criação de um título de dívida vinculado a metas de sustentabilidade (Sustainability-linked Bond – SLB, em inglês) a B3 pretende desenvolver, até 2024, um índice de diversidade para mostrar quem são as empresas que têm bons indicadores e medir suas performances nessa área. Além de apresentar essas empresas de forma consolidada para o investidor, ele permitirá que o mercado possa lançar ETFs (fundo de índice vendido na bolsa) e fundos indexados a esse índice.

Nos Estados Unidos, já existe uma iniciativa parecida por meio do ETF She, fundo de índice criado em 2016 que só investe em empresas americanas que possuem mulheres em cargos de alta liderança. Por lá, as empresas que mais possuem mulheres nesses cargos são do setor de tecnologia (28,08%), consumo cíclico (18%) e saúde (14%).

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)