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Moody’s rebaixa a nota da Petrobras para grau especulativo

Com o rebaixamento, títulos de dívida da empresa deixam de ser compra segura para investidores

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou na noite desta terça-feira a nota da Petrobras para grau especulativo. Isso significa que os títulos de dívida da empresa não são mais considerados um investimento seguro. A nota da dívida da Petrobras foi rebaixada em dois degraus para Ba2, ante Baa3. A Moody’s manteve ainda a classificação da estatal em revisão para novo rebaixamento.

O rebaixamento ocorre após investigações da Polícia Federal apontarem um esquema bilionário de desvio de dinheiro por meio de contratos da estatal, no âmbito da Operação Lava Jato. Em decorrência da descoberta dos desvios, a empresa está com dificuldade de contabilizar perdas decorrentes de contratos suspeitos de corrupção. Assim, precisou publicar seu balanço do terceiro trimestre sem o aval da auditoria externa, PricewaterhouseCoopers (PwC). A empresa terá de publicar logo mais os resultados do quarto trimestre e de 2014, mas ainda não se sabe se incorporará no relatório as estimativas de perdas contábeis e nem mesmo se ele terá a assinatura da PwC.

Segundo a agência, o rebaixamento reflete a crescente preocupação com as investigações da Operação Lava Jato e as pressões sobre a capacidade da estatal de honrar suas dívidas. A agência aponta que a atual situação financeira da Petrobras, cujo endividamento ultrapassa 300 bilhões de reais, pode levar ao calote de alguns de seus credores. Por isso a empresa não deve permanecer no rol de companhias com grau de investimento, diz a agência. “O rebaixamento também reflete a expectativa da Moody’s de que a empresa será obrigada a fazer reduções significativas na estrutura de sua dívida nos próximo ano”, afirma a nota emitida pela Moody’s.

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O rebaixamento era aguardado pelo mercado não só pelo alto endividamento da estatal, mas também pela necessidade que a empresa terá de reduzir seu plano de investimentos ao longo dos próximos anos. As perdas contábeis decorrentes da corrupção que se alastrou pela companhia pesam sobre a decisão da agência. Mas a dificuldade maior está na incerteza se a Petrobras conseguirá ou não honrar os compromissos de dívida com credores, já que, com menos projetos, consequentemente, gerará menos caixa. A Moody’s foi a primeira das três grandes agências (as outras são Fitch e Standard and Poor’s) a rebaixar a nota de crédito da Petrobras.

Para se ter uma ideia do peso do rebaixamento, nem quando a General Motors (GM) passou por seu pior momento, durante a crise financeira de 2008, e teve de ser resgatada pelo governo americano, sua nota foi rebaixada pelas agências a grau especulativo.

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A Moody’s afirmou, em nota, que tem acompanhado as informações de que a Petrobras deve divulgar seu balanço auditado pela PwC no final de maio. Contudo, afirma que não há indícios suficientes de que a data se cumprirá. “A Moody’s entende que a empresa está direcionando seus esforços para trabalhar com auditores e divulgar os balanços assim que possível, e que também está agindo para melhorar sua liquidez. Contudo, a Moody’s não enxerga, ainda, nenhum sinal confiável de que os balanços estarão disponíveis em nenhuma data próxima”, afirma a nota.

Num processo truculento, a estatal trocou, no início deste mês, toda a sua diretoria – incluindo a presidente Graça Foster, que foi substituída pelo então presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. O novo chefe da estatal assumiu o compromisso de rever o cálculo das baixas contábeis decorrentes dos desvios e publicar o balanço de 2014 com o aval de uma auditoria.