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Missão impossível: comprar uma passagem aérea na Venezuela

Venezuelanos que não conseguem comprar dólares e que não fazem parte do circulo privilegiado de operadores estatais não encontram bilhetes de viagem

Por Da Redação - 27 abr 2015, 16h31

Comprar passagens para o exterior se transformou em uma difícil tarefa para os venezuelanos que não têm acesso a moeda estrangeira nem fazem parte do circulo privilegiado dos operadores estatais ou particulares. Em um país onde até as vendas de produtos básicos, como papel higiênico, são alvo de controle estatal, a população tem de recorrer a um mercado informal que cobra elevadas comissões para conseguir os bilhetes emitidos em moeda local.

Desde 2003 o controle de câmbio que existe na Venezuela obrigou as companhias aéreas a vender as passagens em bolívares para só depois, num embaraçoso processo administrativo, solicitarem a conversão em moeda estrangeira. Dada à dificuldade de compra, é comum os bilhetes serem vendidos no mercado informal a um preço três vezes superior ao oficial.

A falta de pagamento de mais de 3 bilhões de dólares pelas vendas em bolívares durante 2013 e 2014 por causa dos controles cambiais impostos pelo governo levou as companhias aéreas a reduzirem a frequência de voos e o número de passagens vendidas na moeda local. Companhias como Alitalia e Air Canada optaram por suspender operações na Venezuela, e outras diminuíram de maneira drástica sua frequência de voos, em quase 80%. As companhias espanholas Iberia e Air Europa reduziram seus voos em mais de 50% nos últimos anos.

Uma fonte do setor explicou à agência de notícias Efe que, a partir de 2014, as companhias aéreas decidiram vender apenas uma porcentagem mínima em bolívares. O resto é comercializado no exterior em moeda estrangeira, o que deixou o país em uma situação dramática. Nos últimos três anos a Venezuela perdeu 40% do número de assentos disponíveis em voos para o exterior, que passaram de 47.493 assentos em 2013 para 26.138, segundo as últimas estimativas da Associação de Linhas Aéreas na Venezuela (Alav).

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Assim, não importa se o bilhete é para os próximos dias, semanas ou meses, o recado dado pelas as companhias aéreas é o mesmo: “não há disponibilidade”. No entanto, se uma pessoa tenta comprar a passagem rumo ao mesmo destino por meio de um site internacional, encontra não uma, mas várias ofertas em diferentes empresas. O problema é que a companhia não permite mais a compra em bolívares. E, como não há dólares disponíveis para a grande maioria da população, a compra em sites internacionais acaba inviável.

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Câmbio – Na Venezuela os residentes só podem ter acesso a uma quantia limitada de dólares para viagens ao exterior, que varia de acordo com o destino. Se um venezuelano quiser comprar divisas no país, um novo sistema do Estado permite adquirir até 200 dólares diários nas casas de câmbio. No entanto, o volume de dólares para este tipo de negócio costuma se esgotar com facilidade.

Outras vias são adquirir a moeda americana no mercado especulativo, tentar que um conhecido no exterior compre a passagem ou pagar preços inflacionados em bolívares ofertados por operadores ilegais.

(Com agência Efe)

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