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Metade dos brasileiros já pagou juros por atraso, aponta estudo

Levantamento mostra que desorganização financeira pesam mais que a falta de renda, e fazem consumidores evitarem serviços com cobrança

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 mar 2026, 13h00 •
  • Mesmo com melhora recente na renda e queda do desemprego, a organização financeira ainda é um desafio para boa parte dos brasileiros. Um estudo da Toku em parceria com a PiniOn revela que metade da população já pagou juros ou multas por atraso de contas nos últimos 12 meses.

    O dado faz parte do levantamento Brasil no Limite. O raio-x dos pagamentos em 2026, que mostra um descompasso entre a percepção individual e o cenário econômico. Embora 45,9% afirmem que sua situação financeira melhorou, apenas 25,6% demonstram otimismo em relação à economia do país.

    Na prática, o peso das despesas fixas ajuda a explicar esse cenário: seis em cada dez brasileiros têm mais da metade da renda comprometida. O estresse financeiro mensal não vem apenas da falta de dinheiro,  apontada por 34,2% dos entrevistados, mas também da complexidade na gestão dos pagamentos. Esquecer datas de vencimento (16,6%) e lidar com a emissão recorrente de boletos (10,7%) estão entre os principais entraves. Para Raphael Emerick Country Manager da Toku no Brasil, o problema vai além da renda disponível. “Quando o orçamento está apertado, qualquer falha aumenta a sensação de risco. O fato de metade dos entrevistados já ter pago multas indica que bilhões de reais são perdidos por desorganização e fricção nos pagamentos”, afirma.

    Digitalização ainda não resolve o problema

    Apesar do avanço das ferramentas digitais, a gestão financeira no Brasil ainda é pouco estruturada. A maioria das pessoas organiza seus pagamentos pelo aplicativo do banco ou de forma informal, sem uso consistente de planilhas ou sistemas.

    O Pix manual é hoje o principal meio de pagamento de contas mensais, utilizado por 51,7% dos brasileiros. Já o Pix automático, embora conhecido por 81% da população, ainda enfrenta resistência: apenas 11,8% o utilizam. A principal razão é o desejo de manter controle direto sobre os gastos.

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    Ainda assim, a tendência de automação ganha força. Cerca de 74,9% acreditam que o futuro dos pagamentos será híbrido ou automático, e 46,4% já associam esse modelo à redução de atrasos. A adesão, porém, depende de confiança: oito em cada dez brasileiros afirmam que adotariam o Pix automático se houvesse mais transparência e facilidade para cancelamento.

    Impacto vai além do consumidor

    A desorganização nos pagamentos também afeta diretamente o mercado. Segundo o estudo, 52% dos brasileiros já deixaram de contratar serviços para evitar cobranças recorrentes, enquanto 48,6% cancelaram assinaturas por dificuldades na gestão dos pagamentos. Em alguns casos, o problema chega ao extremo: 39,6% afirmam já ter pago por serviços que sequer utilizaram.

    No setor de financiamentos, a situação é ainda mais sensível. Embora essas dívidas sejam prioritárias, 51% dos consumidores já atrasaram parcelas, muitas vezes não por falta de dinheiro, mas por falhas operacionais. Cerca de 32% dos atrasos estão ligados a esquecimento ou desorganização. Para Emerick, há espaço para reduzir a inadimplência sem endurecer a cobrança. “Se as empresas não estruturarem sistemas mais previsíveis e eficientes, continuaremos alimentando um modelo que penaliza o consumidor com juros evitáveis”, afirma.

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