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Mercados globais se preocupam mais com Biden do que com Trump

Favoritismo do candidato democrata, que apresentou plano econômico anti mercado, contribui para a queda dos índices nos EUA

Por Luisa Purchio Atualizado em 10 jul 2020, 11h35 - Publicado em 10 jul 2020, 11h20

Na tarde da quinta-feira, 9, o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, favorito nas pesquisas, apresentou seu plano econômico no estado da Pensilvânia, próximo a sua cidade natal. O pronunciamento impactou levemente o mercado financeiro porque vai em direção contrária ao “America’s First” (América Primeiro) de Donald Trump. Próximo ao pronunciamento, o S&P 500, índice que compõe 500 ativos nas bolsas americanas Nasdaq e NYSE, sofreu uma queda pequena, inferior a 100 pontos e nesta sexta-feira, 10, continua operando em ligeira baixa, de 0,7%. Apesar de o discurso ter sido claramente anti-mercado, a influência nas bolsas não foi maior porque o favoritismo de Biden ainda não é significativamente maior ao de Trump nos colégios eleitorais. “Durante essa crise, Donald Trump focou quase singularmente nas bolsas, no Dow Jones e na Nasdaq, não em vocês, nas suas famílias”, disse Biden em seu discurso.

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A eleição de Biden preocupa bastante o mercado porque, como ex-vice-presidente de Barack Obama, pretende dar continuidade ao programa democrata, que prioriza o bem-estar social em detrimento ao mercado financeiro. Sob o protecionismo conservador do presidente Donald Trump que apertou o cerco aos imigrantes e extinguiu o “Obama Care”, programa de saúde gratuito às pessoas mais vulneráveis, as moradias se valorizaram, a confiança dos investidores aumentou e a inflação se manteve em patamares baixos. Tudo isso contribuiu para que, antes da Covid-19, a economia dos Estados Unidos acelerasse e conquistasse as taxas de desemprego mais baixas dos últimos 50 anos.

Biden, por sua vez, coloca em primeiro lugar a proteção às camadas mais pobres, aumento do emprego, investimento em infraestrutura e maior salário para professores, tudo isso, entretanto, seria contrabalanceando com o aumento de impostos. “Trump diminuiu bastante as regulamentações, do sistema financeiro, do meio ambiente, tudo isso deixou o mercado mais livre. Biden preocupa muito o mercado porque junto com esse aumento de tributos deve vir um possível aumento nas regulamentações”, diz Adriano Canteva, sócio da Portofino Investimentos.

Entre as medidas de Biden, está direcionar as compras de suprimentos por entidades federais para apenas produtos fabricados no país. Além disso, com 700 bilhões de dólares, pretende investir em pesquisas na área de de tecnologia e carros elétricos, serviços e produtos americanos. “Quando gastamos dinheiro dos contribuintes, devemos usá-lo para comprar produtos americanos e apoiar empregos”, disse ele. Essa agenda econômica tem um olhar nacionalista que visa atrair eleitores de Trump da classe trabalhadora. Seu viés prioritariamente social, no entanto, é o que preocupa o mercado. Afinal, para as empresas, o bem-estar social está presente, mas vem em segundo plano. Em primeiro, vem o lucro e o retorno aos acionistas.

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