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Mercado terá desafio com o fim do BEm e Onyx defende minirreforma

Fim do programa de proteção de emprego e inflação alta podem pesar nos próximos meses; Ministro volta a defender flexibilização das regras da CLT

Por Luana Meneghetti Atualizado em 1 out 2021, 20h05 - Publicado em 29 set 2021, 16h12

O Brasil encerrou o mês de agosto com 372,2 mil novas vagas de trabalho com carteira assinada, o maior patamar desde fevereiro, de acordo com dados do Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nesta quarta-feira, 29. A questão, porém, é como se comportarão esses números a partir dos próximos meses com o fim do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), encerrado em agosto.

O BEm, instituído pelo Ministério da Economia em 2021 e reeditado em abril, pela Medida Provisória Nº 1.045/2021, fazia parte da iniciativa do governo de conter os efeitos da pandemia de Covid-19 no mercado de trabalho. O programa beneficiou 9,8 milhões de trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos e 1,5 milhão que firmaram acordos temporários de redução de jornada e salário. Na avaliação do economista e CEO da Siegen, Fábio Bartolozzi Astrauskas, os dados de emprego formal para o mês de agosto refletem dois pontos importantes: a retomada da atividade econômica, e o efeito do BEm.

Apesar da piora do cenário econômico e do fim do programa, o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, disse que a expectativa da pasta é que o número de trabalhadores com carteira assinada some 2,5 milhões até o final do ano. Ele ainda insistiu na minirreforma trabalhista, que estava embutida dentro da MP 1045, e foi rejeitada pelo Senado. Segundo o ministro, a medidafacilitaria a contratação de pessoas, particularmente as que estão fora do mercado”, mas, em suas palavras, a proposta foi “compreendida apenas por parte do Senado”. A proposta flexibilizava as regras das leis trabalhistas (CLT), o que foi bastante questionado pelos parlamentares, levando a rejeição com 47 votos contra e 27 a favor.

“Acreditamos que vai voltar em discussão e teremos aprovação unânime. A proposta criaria a possibilidade de nos próximos meses trazer para o mercado de trabalho aqueles que hoje vivem na informalidade”, disse o ministro.

Cenário

De acordo com o relatório da CM Capital, que analisa os dados do Caged, essa é a maior quantidade de trabalhadores formais contratados verificada na economia brasileira dos últimos 7 anos. “É importante lembrar que o Caged reflete apenas a população empregada formalmente, a qual representa menos de 50% da força de trabalho e o BEm terminou no fim de agosto, influenciando ainda pelo menos parte da manutenção do emprego formal”, aponta Astrauskas.

Os efeitos do fim do BEm serão sentidos nos dados do Caged do próximo mês. Apesar da retomada da atividade econômica com o avanço da vacinação, o fim do auxílio dará um bom termômetro da real capacidade de recuperação da economia. O programa foi importante para a manutenção dos empregos durante os períodos críticos da pandemia, segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. “A economia vem demonstrando sinais de recuperação que possibilitam o fim do BEm”, diz. No entanto, Vieira aponta que a inflação prejudica a percepção de melhora na atividade.

A piora do cenário econômico com a inflação em alta tende a pesar para os trabalhadores nos próximos meses. A inflação acumulada nos últimos 12 meses até agosto é de 9,68%, impactando no poder de compra das famílias. Os dados do Caged revelaram ainda que, apesar da criação de novas vagas, o salário de contratação caiu de 1.920.55 reais para 1.782,07 reais, queda de 7,2% no valor.

A economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, explica que o estoque de empregos ainda é alto, o que dá aos contratantes poder de barganha para oferecer salários menores. “Mesmo que o mercado de trabalho esteja se recuperando, ainda não estamos em uma situação boa. A inflação impacta a criação do emprego, que acontece em nível menor do que se tivesse mais controlada”, diz.

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