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Mercado europeu dá sinais de alívio, mas segue atento a agências

Por Johannes Eisele - 15 dez 2011, 15h02

Apesar da continuidade dos temores de rebaixamento das notas de risco dos Estados europeus, as bolsas europeias seguem em alta nesta quinta-feira e o euro dá sinais de recuperação.

A retomada de otimismo foi em grande parte influenciada pela captação de 6 bilhões de euros pelo Tesouro espanhol, o dobro da meta inicial, o que demonstrou a continuidade da atratividade dos títulos dos países da união monetária mais afetados pela crise.

As bolsas europeias, que na quarta-feira sofreram fortes perdas, começaram o dia com números positivos. Às 12H50 GMT (10H50 de Brasília), a Bolsa de Frankfurt subia 1,32%, Paris +0,90%, Londres +0,87%, Madri +0,78% e Milão +1,30%.

Já as bolsas da região Ásia-Pacífico fecharam em queda. Tóquio recuou 1,66%, Hong Kong -1,78%, Seul -2,08% e Sidney -1,21%.

No mercado de câmbio, o euro foi negociado nesta quinta-feira em Nova York a 1,3013 dólar, depois de ter caído na sexta-feira a 1,2970 dólar, seu nível mais baixo nos últimos 11 meses.

Os sinais de recuperação, no entanto, continuam frágeis, dizem os analistas.

“Ante as crescentes preocupações sobre o crescimento da economia mundial em 2012, fica difícil prever as razões que poderiam motivar um retorno dos investimentos”, disse Terry Pratt, de IG Markets.

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Os dirigentes europeus, por sua vez, tentam minimizar o impacto de uma eventual degradação da Standard and Poor’s na nota de solvência dos países do bloco, incluindo a de suas duas maiores economias, França e Alemanha.

Contudo, o primeiro-ministro francês, François Fillon, admitiu que a França poderá ainda “enfrentar sacudidas” e afirmou, em um discurso ante empresários em São Paulo, que “o que importa não é o julgamento de um dia das agências, mas sim a trajetória politicamente estruturada e orçamentariamente rigorosa” seguida por França e Europa.

Segundo a chanceler alemã, Angela Merkel, a superação da crise pela Europa pode levar muitos anos.

Entre as boas notícias do dia, o Tesouro espanhol captou nesta quinta-feira 6 bilhões de euros (7,8 bilhões de dólares), o dobro de sua meta, aproveitando uma menor pressão dos mercados, em leilões a 4 anos e a 9 e 10 anos com juros em queda no primeiro caso e em alta nos outros dois.

Os juros oferecidos pelo bônus a 4 anos foi de 4,023% (contra os 5,276% na última operação similar). O das obrigações com vencimento em 2020 foi de 5,201% (contra os 5,006%) e o de 2012 chegou a 5,545% (contra os 5,433%).

A demanda total alcançou os 11,234 bilhões de euros. O objetivo inicial era captar de 2,5 a 3,5 bilhões de euros.

O Tesouro havia realizado na terça-feira leilões a 12 e a 18 meses, nos quais também havia superado as expectativas iniciais, colocando a dívida acima dos 5 bilhões de euros.

O prêmio de risco – diferença entre os títulos de dívida espanhóis a 10 anos com seus similares alemães – retrocedia nesta quinta-feira e se situava em 359,5 pontos básicos (4,595%) às 10H19 GMT (08H19 de Brasília).

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