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Mais 6 marcas envolvidas com mão de obra escrava

Etiquetas de seis grifes foram encontradas em uma confecção que utilizava trabalho estrangeiro irregular na cidade de Americana, interior de São Paulo

Por Carolina Guerra 18 ago 2011, 20h44

Nem só a Zara entrou na mira do Ministério do Trabalho por comportar, em sua cadeia, peças originadas de trabalho realizado em condições análogas à escravidão. Em uma fiscalização realizada em maio deste ano, na cidade de Americana, interior de São Paulo, foi encontrada uma outra casa que funcionava como confecção e moradia de 52 trabalhadores, sendo a maioria deles bolivianos. No local havia uma produção de calças jeans que portavam etiquetas, além da Zara, de outras seis marcas: Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d’Água e Tyrol.

Como a maioria das peças era da Zara, a cadeia da rede espanhola no Brasil foi o alvo de mais investigações – que resultaram no flagrante da casa na zona norte de São Paulo. “Pretendemos chamar estas outras marcas para que ajustem as condutas em suas cadeias produtivas e será aberto um processo para apurar responsabilidades”, diz Fabíola Junges Zani, procuradora regional do Trabalho.

Estas pequenas confecções irregulares, que utilizam mão de obra ilegal estrangeira, também chamadas de facções, em geral produzem para uma empresa intermediária, que repassa as peças para as grandes marcas. “Os trabalhadores são aliciados e já chegam aqui com dívidas, por isso têm de ficar no trabalho. Isso caracteriza o crime de tráfico internacional de pessoas”, aponta Fabíola. Foi constatado, segundo a procuradora, que a casa em Americana não comportava espaço físico para circulação, Havia também fios expostos e botijão de gás dentro do dormitório improvisado – já que os trabalhadores cozinhavam dentro do quarto.

Repercussão – Ao tomar ciência do caso, a Associação Brasileira das Indústrias Têxteis e de Confecção (Abit) afirmou desconhecer esse tipo de prática por parte das varejistas de moda. “Infelizmente, confecções que atuam desta maneira irregular, além de concorrerem de forma desleal com seus pares no Brasil, denigrem o profissionalismo que o setor têxtil e de confecção sempre defendeu, e maculam a imagem da indústria da moda brasileira”, disse, em nota, Aguinaldo Diniz Filho, presidente da entidade.

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