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Lula pode sofrer com alta dos combustíveis às vésperas da eleição

Subsídio federal para gasolina e diesel perde validade em 9 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno; petróleo em alta aumenta a pressão sobre os preços

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 set 2026, 12h00
Lula pode sofrer com alta dos combustíveis às vésperas da eleição Priorizar nos meus resultados Google

Lula pode ganhar um problema particularmente incômodo na reta final da campanha: uma nova pressão sobre os preços dos combustíveis. A medida provisória criada para amortecer no mercado doméstico a disparada do petróleo provocada pela crise no Oriente Médio perde validade em 9 de setembro, apenas 25 dias antes do primeiro turno.

E o cenário externo voltou a piorar. O petróleo Brent chegou nesta quinta-feira a 97,29 dólares por barril, o maior nível em seis semanas, depois de quatro sessões consecutivas de alta. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e o temor de restrições à passagem de navios pelo Estreito de Hormuz voltaram a empurrar a commodity para perto dos 100 dólares.

O plano B do governo passa pela Petrobras. A expectativa em Brasília é que a estatal absorva ao menos parte da pressão e evite um repasse imediato às refinarias, usando sua política comercial para suavizar movimentos de curto prazo do petróleo e do câmbio. É uma saída politicamente conveniente a poucas semanas das urnas, mas que já começa a ser testada.

Os números da Abicom mostram o tamanho do problema. Nos principais polos do país, o diesel está 80% abaixo do preço de paridade de importação, uma diferença de 2,68 reais por litro. A gasolina aparece 35% abaixo, ou 90 centavos por litro.

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Nos polos da própria Petrobras, a distância é ainda maior: 91% no diesel, equivalente a 2,99 reais por litro, e 40% na gasolina, ou 1,03 real por litro. Ou seja, antes mesmo do fim do subsídio, a estatal já opera com uma diferença expressiva em relação à referência internacional.

Se o petróleo continuar pressionado e a MP perder validade, essa distância tende a aumentar. Quanto maior a defasagem, maior também a pressão de importadores e do mercado por reajustes, além do risco de redução das importações privadas.

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A menos de um mês das urnas, gasolina e diesel voltam, assim, a ser uma variável eleitoral. O governo terá de decidir até onde está disposto a esticar o colchão da Petrobras para impedir que o choque do petróleo chegue às bombas no pior momento possível para Lula.

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