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Lucro da Vale cresce 46% e vai a R$ 26 bilhões em 2018

Resultado ainda não traz impactos da tragédia de Brumadinho (MG); ganho no quarto trimestre do ano passado teve aumento de 472%

A mineradora Vale registrou lucro líquido de 25,657 bilhões de reais em 2018, com alta de 45,6% em relação ao ano anterior, índice acima do projetado por analistas. Segundo o balanço divulgado pela companhia nesta quarta-feira, 27, o aumento do lucro no ano passado ocorreu especialmente pela maior geração de caixa e também pelo menor impacto negativo das operações descontinuadas.

Foi o primeiro resultado apresentado pela empresa após o rompimento de uma de suas barragens em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, que resultou em diversos impactos para as suas operações, como paralisação em diversas minas. O balanço financeiro, porém não trouxe ainda impactos da tragédia.

O documento tem na sua capa, no alto e à direita, uma fita preta, símbolo de luto pela tragédia de Brumadinho. Segundo autoridades, até o momento, 216 pessoas morreram e 89 ainda estão desaparecidas.

Capa do balanço financeiro divulgado pela Vale com uma fita preta símbolo de luto impressa do lado direito

Capa do balanço financeiro divulgado pela Vale com uma fita preta símbolo de luto impressa do lado direito (Vale/.)

 

A empresa fechou 2018 com receita operacional de 134 bilhões de reais, 23,9% acima do registrado no ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 24,6%, para 61,065 bilhões.

No quarto trimestre de 2018, a companhia, a maior produtora global de minério de ferro, lucrou 14,485 bilhões de reais, 472% a mais que o registrado um ano antes, em meio a preços mais altos do minério de ferro e com forte alta dos prêmios pagos pelo seu produto de melhor qualidade, segundo a companhia.

“A Vale ainda está avaliando os passivos potenciais que podem surgir da ruptura da Barragem I. Devido ao estágio preliminar das diversas alegações e contingências, não é possível determinar um conjunto de resultados ou estimativas confiáveis da exposição potencial. Portanto, o valor de outros custos relacionados ao rompimento da Barragem I, que serão reconhecidos em 2019 não puderam ser estimados ainda”, de acordo com o relatório da empresa.

Embora considere ainda difícil avaliar os passivos potenciais com o desastre, a empresa anunciou provisões bilionárias, incluindo uma de até 2 bilhões de reais por pagamentos emergenciais aos atingidos. A mineradora afirmou também que realizou baixa contábil de 480 milhões de reais pela mina de Córrego do Feijão, relacionada à estrutura que colapsou em Brumadinho, e também por ativos relacionados a barragens a montante, com impacto nos resultados a partir do primeiro trimestre deste ano.