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Lázaro Brandão: um banqueiro discreto

O economista morreu na última quarta, 16, aos 93 anos, por complicações decorrentes de uma cirurgia de diverticulite

Por Victor Irajá 18 out 2019, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 15h23
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No início do século passado, um sinal de ambição na pequena Itápolis, cidade do interior de São Paulo, era estudar para ser funcionário do Banco do Brasil. Além de oferecer estabilidade e bom salário, o emprego dava prestígio e podia levar à capital do estado. Quando começou a trabalhar como escriturário na Casa Bancária Almeida & Cia., em Marília (SP), aos 16 anos, Lázaro de Mello Brandão achava que essa ocupação seria temporária, até que ele fosse aprovado no concurso público. No ano seguinte, a empresa foi rebatizada com o nome de Banco Brasileiro de Descontos, ou Bradesco, e Brandão iniciou a trajetória que o tornaria o mais longevo presidente daquela que é hoje a segunda maior instituição bancária privada do país. Economista, foi presidente da diretoria entre janeiro de 1981 e março de 1999 e assumiu a presidência do conselho de administração em fevereiro de 1990. Ao todo, passou 76 anos na instituição — só deixou o cargo em 2017, aos 91 anos, mas manteve a rotina de ir ao banco diariamente. Chegava às 7 da manhã e só deixava o escritório no começo da noite, hábito que imprimiu na cultura do Bradesco.

“O orgulho do próprio desempenho deve sucumbir à prática da renovação.”

Lázaro Brandão (1926-2019)

Seu Brandão, como costumava ser chamado, foi o responsável por alguns dos movimentos mais importantes da história do banco. Convenceu, por exemplo, o fundador Amador Aguiar a entrar no ramo dos seguros com a compra da Atlântica-Boavista. Renomeada como Bradesco Seguros, a seguradora responde hoje por um terço do resultado do grupo. Até a adoção da contração “Bradesco” no lugar do nome antigo teve dedo seu. Conhecido por sua discrição, modéstia e hábitos espartanos, Brandão morreu na última quarta, 16, aos 93 anos, por complicações decorrentes de uma cirurgia de diverticulite. Lembrado por seu biógrafo, Sérgio Praça, como um entrevistado relutante, não se sentia à vontade em falar de si. “Quando propusemos fazer um livro a seu respeito, ele perguntou: ‘Quem vai se interessar pela minha história?’”, recorda Praça. Uma reação típica de quem nunca viu a vaidade e a soberba com bons olhos.

Publicado em VEJA de 23 de outubro de 2019, edição nº 2657

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