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Juros precificam Selic a 8,25% com mudanças na poupança

Por Márcio Rodrigues e Fabrício de Castro

São Paulo – As alterações na remuneração da caderneta de poupança, que devem ser confirmadas ainda nesta quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, eliminam o piso “técnico” que existia para a taxa básica e já faz o mercado de juros precificar a Selic em 8,25% no fim do ano. Segundo fontes, pelas novas regras, sempre que a Selic atingir 8,50% ou menos a rentabilidade do investimento mais popular do País ficaria restrito a 70% da taxa básica mais a variação da Taxa Referencial (TR). Com a Selic acima desse nível valeria a regra atual, de 0,50% ao mês mais a TR. A mudança vale apenas para os novos depósitos. Além de as taxas futuras caírem ao incorporar tal regra, a atividade doméstica em ritmo lento e o cenário externo titubeante sustentam as apostas na continuidade do afrouxamento monetário no Brasil.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI com vencimento em janeiro de 2013, com giro de 599.375 contratos, estava em 8,11%, de 8,15% na véspera. Por enquanto, o trecho mais curto da curva de juros indica um corte de 0,50 ponto porcentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio e outro adicional de 0,25 ponto em julho. Nos outros vértices da curva a termo, o cenário era de relativa estabilidade. O DI janeiro de 2014 (552.045 contratos) indicava 8,51%, de 8,54% no ajuste. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (73.700 contratos) estava em 9,86%, de 9,87% ontem, e o DI janeiro de 2021 (12.410 contratos) marcava 10,44%, de 10,45% na véspera.

“O mercado de juros já deu uma boa antecipada nessa alteração da poupança ontem. Hoje, estamos vendo apenas um ajuste adicional, também sustentado por uma produção industrial fraca e pelo cenário internacional ruim”, analisou o gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

E alguns indicadores conhecidos nesta quinta-feira dão respaldo para a quase “obsessão” do governo em busca de juros menores. A produção industrial caiu 0,5% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou muito abaixo da mediana positiva de 1,20% encontrada pelo AE Projeções. No campo inflacionário, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, que mede a variação de preços na cidade de São Paulo, subiu para 0,47% no fechamento de abril, também abaixo da mediana de 0,50%.

Lá fora, alguns indicadores também sugerem fraqueza. Os empregadores dos EUA planejaram cortar 40.559 postos de trabalho em abril, um aumento de 11% sobre os 36.490 cortes anunciados no mesmo mês de 2011, segundo pesquisa da Challenger, Gray & Christmas. Já o índice do Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) sobre a atividade dos gerentes de compra (PMI, em inglês) do setor de serviço dos EUA caiu para 53,5 em abril, de 56,0 em março, e ante expectativa de 55,5.