ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Itaú mantém estratégia conservadora para 2026 diante de juro alto e leve crescimento do desemprego

Banco deve continuar buscando clientes resilientes no 5° ano seguido de Selic em dois dígitos

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 fev 2026, 17h22 • Atualizado em 5 fev 2026, 17h50
  • O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, manterá sua gestão conservadora e assertiva dos últimos anos em 2026. A decisão ocorre após a companhia identificar que a Selic deve permanecer em dois dígitos, cerca de 12,75% ao ano, e a taxa de desemprego deve subir de 5,4% para 5,7%. A medida, que parece comedida, é a mesma receita aplicada pela companhia nos últimos anos, que fez o banco surfar nesse cenário de juros altos e inflação elevada.

    Ontem, o Itaú reportou lucro líquido recorrente de 12,31 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025, alta de 13,2% na comparação com o mesmo período de 2024. A inadimplência acima de 90 dias do Itaú recuou 0,1 ponto porcentual na comparação anual e ficou em 1,9%, o menor patamar da série histórica.

    Ainda assim, as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), recursos destinados a cobrir os calotes dos clientes, avançaram 8,7% na comparação anual e chegaram a 9,39 bilhões de reais. Essa variação ocorreu em linha com o crescimento da carteira, enquanto o indicador de custo do crédito sobre a carteira manteve-se estável na comparação anual.

    Em 2025, as provisões somaram 36,6 bilhões de reais. Para 2026, o banco projeta que as provisões devem ficar entre 38,5 bilhões e 43,5 bilhões de reais, alta entre 5,19% e 18,5%. Durante a coletiva com jornalistas, o executivo foi questionado se esse aumento reflete alguma preocupação do banco com a elevação da inadimplência em suas carteiras.

    Segundo Maluhy Filho, o crescimento do provisionamento vem em linha com a nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), a norma nº 4.966. A medida determina que os bancos antecipem o provisionamento para perda esperada, e não apenas para perda ocorrida. Ou seja, antes os bancos só faziam provisões quando o calote do cliente acontecia. Agora, as empresas do setor financeiro devem provisionar conforme o perfil e o histórico do cliente. Vale lembrar que todo o setor está passando por essa mudança, que deve gerar um aumento nas provisões de forma sistêmica.

    Continua após a publicidade

    Outro ponto é que esse avanço das provisões segue em linha com o crescimento da carteira de crédito. O Itaú estima um avanço na carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5% ao ano. Já na carteira de crédito no Brasil, o crescimento deve ficar entre 6,5% e 10,5%. “Desse modo, esperamos que a inadimplência fique estável e contida ao longo de 2026, dado que temos clientes resilientes”, afirma Maluhy Filho.

    Projeções refletem cenário macroeconômico

    O banco estima ainda um avanço da margem financeira com os clientes de 5% a 9%. A margem financeira com o mercado deve encerrar 2026 com incremento entre 2,5 bilhões e 5,5 bilhões de reais. A receita com prestação de serviços deve crescer entre 5% e 9% ao ano. Questionado se as projeções não seriam consideradas conservadoras e se o banco poderia revisar o guidance, o executivo comentou que a gestão segue a mesma dos anos anteriores, diante do cenário macroeconômico.

    O Itaú espera uma alta no desemprego, com a taxa passando de 5,4% para 5,7%. A economia deve desacelerar, com o crescimento do PIB caindo de 2,3% na estimativa para 2025 para 1,9% na estimativa para 2026. Já a taxa básica de juros da economia, a Selic, deve recuar dos atuais 15% ao ano para 12,75% ao ano. De modo geral, haverá uma queda, mas o juro continuará em um patamar elevado para uma inflação que deve encerrar o ano em 4%.

    Continua após a publicidade

    Desse modo, o banco avalia o cenário como desafiador, visto que também haverá eleições, o que deve elevar a volatilidade do mercado, com provável disparada do dólar. “Diante desse cenário, não consideramos nossas projeções conservadoras e podemos fazer ajustes ao longo do ano”, afirmou Maluhy Filho.

    Questionado por VEJA sobre quais setores o banco deve expandir a carteira diante desse cenário, o executivo disse que a companhia manterá a mesma estratégia de sucesso em 2026. A empresa deve crescer em todos os segmentos, sem distinção ou preferência. O único grande critério é que o cliente traga a combinação perfeita entre boa rentabilidade e resiliência. A ideia é manter a gestão conservadora na concessão de crédito, sem assumir grandes riscos — algo que o Itaú tem feito nos últimos anos com bons resultados.

    Com essa estratégia, o Itaú pretende manter a sua rentabilidade em 2026, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês), em patamares similares aos do último trimestre, que foi de 24,4%. Em suma, o banco vem mostrando bons resultados, com inadimplência sob controle e rentabilidade elevada. Entre os ditados populares, o que melhor se aplica ao Itaú é que em time que está ganhando não se mexe, estratégia que está sendo aplicada pela companhia em 2026.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).