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Guerra com o Irã dispara petróleo e força América Latina a cortar subsídios e rever políticas

Países como Chile, Colômbia e República Dominicana ajustam preços, reduzem incentivos e tentam conter impacto fiscal e inflacionário

Por Ernesto Neves 23 mar 2026, 11h10 • Atualizado em 23 mar 2026, 11h12
  • A disparada do petróleo provocada pela guerra envolvendo o Irã levou governos da América Latina a rever, de forma acelerada, suas políticas energéticas e fiscais.

    Em meio ao choque externo, países da região começam a abandonar subsídios amplos aos combustíveis e a recalibrar gastos públicos para evitar desequilíbrios nas contas.

    Na República Dominicana, o presidente Luis Abinader anunciou ajustes nos preços internos dos combustíveis e alertou para a necessidade de “sacrifícios inevitáveis”.

    A alta do petróleo, disse, impõe pressão crescente sobre o orçamento e pode comprometer a sustentabilidade fiscal.

    O governo planeja subsidiar fertilizantes, com aporte de cerca de 1 bilhão de pesos, e redirecionar recursos para programas sociais, numa tentativa de conter os efeitos inflacionários sobre alimentos e energia.

    A estratégia inclui ainda apelos à população e às empresas para reduzir o consumo, com incentivo ao trabalho remoto e maior eficiência energética, em linha com recomendações recentes da Agência Internacional de Energia diante do choque global.

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    No Chile, o presidente José Antonio Kast indicou que o país não conseguirá manter o atual sistema de estabilização de preços caso o petróleo permaneça em níveis elevados.

    Em entrevista ao jornal La Tercera, afirmou que pretende revisar o mecanismo de amortecimento (MEPCO) e rejeitou soluções “populistas”, defendendo uma agenda de ajuste fiscal em meio à escalada dos preços internacionais.

    Já na Colômbia, o presidente Gustavo Petro foi mais direto: os subsídios à gasolina deixarão de existir. Segundo ele, os preços domésticos passarão a acompanhar o mercado internacional.

    Em contrapartida, o governo pretende redirecionar recursos da estatal Ecopetrol para subsidiar fertilizantes produzidos no país, deslocando o apoio estatal “da bomba para o campo”.

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    O subsídio ao diesel será mantido apenas para o transporte de cargas.

    O movimento conjunto indica uma inflexão estrutural: após anos de políticas voltadas a amortecer o custo dos combustíveis para consumidores, a região passa a priorizar o equilíbrio fiscal. Na prática, governos reconhecem que o atual patamar de preços torna insustentável o modelo de energia subsidiada.

    Choque externo e risco sistêmico

    A reconfiguração ocorre em meio a uma crise energética global desencadeada pelo conflito no Oriente Médio.

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    Desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro, o petróleo tipo Brent acumula alta de cerca de 55%, impulsionado pelo risco de interrupções no fornecimento.

    O foco das preocupações é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

    A escalada militar elevou o temor de bloqueios ou ataques a navios petroleiros, o que reduziria drasticamente a oferta global.

    Nos últimos dias, relatos de ataques a instalações no Golfo e ameaças cruzadas entre o Donald Trump e o governo iraniano ampliaram a volatilidade. Embora haja sinais pontuais de distensão, o mercado segue operando sob forte incerteza.

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    Impactos no mercado e na economia

    O choque já se reflete em múltiplas frentes. O preço dos combustíveis pressiona a inflação global, encarece cadeias logísticas e eleva custos de produção, especialmente em economias emergentes.

    Países importadores de energia enfrentam deterioração das contas externas, enquanto exportadores tentam capturar ganhos extraordinários sem agravar desequilíbrios internos.

    Na América Latina, o impacto é desigual. Nações produtoras, como Brasil e Colômbia, se beneficiam parcialmente da alta, mas enfrentam pressão política para conter repasses ao consumidor.

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    Já economias mais dependentes de importações, como Chile e países do Caribe, sofrem deterioração mais direta.

    Analistas apontam que a tendência, no curto prazo, é de manutenção da volatilidade, com risco de novos picos caso haja interrupção efetiva do fluxo no Golfo.

    Ao mesmo tempo, cresce a pressão por medidas de contenção de demanda, diversificação energética e aceleração da transição para fontes renováveis.

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