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Investimentos crescem 3,2% e ajudam no avanço do PIB

Importação de máquinas e equipamentos pela construção civil foi responsável pelo aumento; consumo do governo cai 1%, na maior retração desde 2014

Por Larissa Quintino, Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
29 ago 2019, 13h22

Depois de dois trimestres negativos, os investimentos da economia brasileira voltaram a crescer e ajudaram a puxar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre para cima. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que, em relação a demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimentos, subiu 3,2% sobre o primeiro trimestre.

Esse aumento foi influenciado pela retomada da construção civil – que teve a primeira alta em 20 trimestres – e surpreendeu economistas. A importação de máquinas e equipamentos foi a responsável pela surpresa. “Parte disso é motivado pela aprovação da lei de distrato, no ano passado, o que ajuda as construtoras”, afirma Alex Agostini, economista-chefe da agência de risco Austin Ratings. “Há também a expectativa de queda da taxa básica de juros e a retomada do crédito; essa alta reflete uma aposta do setor”, complementa.

A economia brasileira apresentou alta de 0,4% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira, 29. O resultado reflete a fraca atividade econômica do país, que não conseguiu ensaiar uma retomada de fôlego após ter registrado retração de 0,1% nos primeiros três meses de 2019 – valor revisado pelo instituto, que havia divulgado anteriormente recuo de 0,2% para o período. Em valores correntes, o PIB do segundo trimestre totalizou 1,780 trilhão de reais. Nos primeiros seis meses do governo Bolsonaro, o avanço acumulado da economia brasileira é de 0,7%.

O economista Amir Khair indica que ainda é cedo para traçar cenários sobre a conta de investimentos, porque a alta pode ser pontual. “Quando é algo generalizado, a alta pode ser entendida como uma tendência. Neste caso, pode ter sido a influência de um grande grupo — no caso, a construção civil — que criou um efeito estatístico”, explica. “De qualquer forma, o dado traz otimismo.”

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Ainda de acordo pela ótica da demanda no cálculo do PIB, o consumo das famílias cresceu 0,3% no segundo trimestre, em relação aos três meses anteriores, registrando o décimo trimestre seguido de resultados positivos.

Já os gastos do governo tiveram queda de 1%, na maior queda desde o primeiro trimestre de 2014. Segundo o Ministério da Economia, essa queda reflete a adoção de um regime fiscal de contenção de gastos públicos. “A estratégia adotada pelo governo, de crescimento com responsabilidade fiscal, vai se mostrando acertada. Apesar do forte ajuste nas contas públicas, representada por uma queda de 1% no consumo do governo, o crescimento no trimestre foi positivo e acima das projeções de mercado”.

 

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