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Instalações nucleares francesas carecem de investimentos em segurança

Por Da Redação - 3 jan 2012, 10h38

Paris, 3 jan (EFE).- As instalações nucleares francesas necessitam de investimentos ‘maciços’ em segurança, informou a Autoridade de Segurança Nuclear (ASN), que, apesar do anúncio, não exigiu o fechamento de nenhum dos centros.

Encarregado pelo governo francês, este preciso diagnóstico, publicado nesta terça-feira pela ASN, apurou 79 instalações nucleares, incluindo os 58 reatores em atividade, e estabeleceu uma série de exigências para reforçar a segurança dos centros.

André-Claude Lacoste, o presidente da ASN, destacou que ‘as instalações examinadas apresentam um nível de segurança suficiente para contornar a necessidade de uma paralisação imediata’.

‘No entanto, consideramos que para esses centros continuarem suas atividades é necessário aumentar no menor prazo possível as margens de segurança em relação às situações extremas, seja por fenômenos naturais ou pela perda do fornecimento de água e eletricidade’, acrescentou Lacoste em entrevista ao jornal ‘Le Monde’.

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Uma das principais exigências da ASN é a criação de uma ‘força de ação nuclear rápida’, um órgão capaz de intervir no prazo de 24 horas em qualquer centro que tenha sofrido um acidente. Aliás, esta medida deverá sair do papel antes do final de 2012.

Antes do dia 30 de junho, para garantir sua validação, os gerentes das instalações também deverão criar um ‘núcleo duro’ em cada centro, isso com a implementação de uma série de dispositivos materiais e de organização, os quais conseguem manter as principais funções das instalações mesmo em situações extremas.

Outras obrigações se referem ao reforço das piscinas que contêm o combustível dos reatores, como, por exemplo, uma maior impermeabilização para evitar um possíveis vazamentos em caso de terremotos ou inundações.

O presidente da ASN ainda confirmou que não julgaram necessário o fechamento da usina nuclear mais antiga da França, a de Fessenheim, que opera desde 1978. Anteriormente, a ministra de Ecologia e Transporte da França, Nathalie Kosciusko-Morizet, não tinha excluído a possibilidade do fim das atividades dessa instalação.

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‘A catástrofe de Fukushima é um acontecimento que marca a história do setor nuclear, assim como marcaram os acidentes de Three Mile Island (1979), nos Estados Unidos, e o de Chernobil, em 1986. Nunca podemos excluir a possibilidade de um acidente nuclear’, apontou Lacoste.

Em relação aos contatos firmados com as autoridades de outros países europeus, o presidente da ASN contou que ‘estão surgindo conceitos para criação de um núcleo duro ou da força de uma intervenção rápida’, conceitos nos quais ‘poderão encontrar pontos de convergências’. EFE

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