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Inflação ao consumidor nos EUA acelera para 2,9% em agosto, maior alta em sete meses

Alta foi impulsionada por moradia, alimentos e energia; núcleo do índice avançou para 3,1% em 12 meses

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2025, 11h20 • Atualizado em 11 set 2025, 11h34
  • O relógio da inflação voltou a girar mais rápido em agosto na economia americana. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,4% no mês, o dobro da alta registrada em julho e ligeiramente acima das projeções de Wall Street. Na comparação anual, os preços subiram 2,9%, a taxa mais alta desde janeiro, um lembrete incômodo de que a vitória sobre a inflação ainda não é definitiva.

    O movimento não foi homogêneo, mas teve um claro motor: habitação. O custo de moradia subiu 0,4% em agosto e continua a ser o componente mais persistente da cesta, refletindo tanto pressões nos aluguéis quanto a escassez estrutural de oferta imobiliária. A alimentação também pesou no bolso do consumidor, com aumento de 0,5% no mês. Comer em casa ficou 0,6% mais caro, enquanto restaurantes e lanchonetes repassaram uma alta de 0,5%. A gasolina, por sua vez, subiu 1,9%, arrastando o índice de energia para cima.

    Mesmo ao retirar itens voláteis como alimentos e energia, a história não muda muito. O núcleo da inflação avançou 0,3% em agosto, repetindo o ritmo de julho, e acumula 3,1% nos últimos 12 meses, um patamar desconfortável para o Federal Reserve, cuja meta, baseada no índice alternativo PCE, é de 2%.

    O pano de fundo dessa aceleração está atrelado a política protecionista do presidente Donald Trump. O republicano manteve tarifas abrangentes sobre importados, num esforço para pressionar parceiros comerciais e proteger a indústria americana. Até agora, muitas empresas conseguiram amortecer o impacto usando estoques acumulados antes das sobretaxas. Mas esse colchão está se esgotando, abrindo espaço para repasses mais diretos aos consumidores nos próximos meses.

    A combinação de inflação mais persistente com atividade econômica em ritmo fraco reaviva um fantasma incômodo: o da estagflação. O termo remete aos anos 1970, quando choques de oferta empurraram os preços para cima enquanto o crescimento emperrava.

    O momento é delicado para o Fed. A autoridade monetária interrompeu seu ciclo de cortes de juros em janeiro, à espera de clareza sobre o efeito inflacionário das tarifas. Desde então, os sinais mistos do mercado de trabalho reacenderam a pressão política por mais estímulos. O dado de agosto, embora mais forte que o esperado, dificilmente afastará a expectativa de um corte na reunião da próxima semana.

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