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Indústria brasileira perde espaço na Europa

Exportações de produtos industrializados para região tiveram queda de mais de 20% no primeiro trimestre deste ano

Dados compilados pela Comissão Europeia e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que a indústria brasileira perde cada vez mais espaço na Europa. No primeiro trimestre, a exportação de produtos manufaturados para a região sofreu queda de quase 20%, redução que só se equipara à queda de 22% em 2009, o pior ano do comércio global em 70 anos. Já as exportações de produtos básicos tiveram uma redução de 9%. No total, a venda para Europa teve uma retração 11,5%, ante igual período de 2012, acentuando o movimento de queda, que no ano passado foi de 7,7%.

O ápice da exportação brasileira para a Europa foi registrada em 2011, com vendas de 52 bilhões de dólares, valor cinco vezes superior ao registrado em 1990. Mas grande parte dessa expansão ocorreu graças ao aumento dos preços de commodities. Pelos números da Comissão Europeia e do Ministério, o déficit comercial do Brasil com os europeus chegou a 1,8 bilhão de dólares no primeiro trimestre. Se a tendência for mantida no restante do ano, 2013 deve reverter 14 anos de balança comercial positiva. O ano ainda caminha, além disso, para acumular o pior déficit comercial brasileiro com o seu maior parceiro desde que os dados começaram a ser compilados, em 1989. A recessão no mercado europeu, a decisão de governos e empresas de fecharem as torneiras e não investir e a queda acentuada no consumo de famílias foram fatores que acabaram contaminando o Brasil.

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Receio – O que mais preocupa autoridades no Brasil é que o déficit não é registrado apenas com países em crise. Com a Alemanha, maior economia do bloco, por exemplo, exportações brasileiras caíram 20%, enquanto as vendas alemãs ao Brasil se mantiveram estáveis no início do ano. O resultado é um déficit para o Brasil que já acumula 2 bilhões de dólares.

As exportações para a segunda maior economia da Europa, a França, caíram 5%. No trimestre, o buraco já é de 747 milhões de dólares. Com a terceira maior economia da zona do euro, a Itália, a queda nas vendas nacionais foi de 3%, somando um déficit de 500 milhões de dólares. Se as exportações brasileiras para a Europa sofrem, empresas do Velho Continente continuam expandindo as vendas no mercado brasileiro. Nos três primeiros meses do ano, as exportações da Europa para o Brasil aumentaram 2,4%. Em 2012, elas haviam tido uma alta de 2,6%.

O resultado dessa combinação de fatores é um cenário radicalmente diferente da relação comercial entre Brasil e Europa dos últimos anos. 2013 ainda marcará um forte contraste em relação a 2007, quando o Brasil registrou um superávit comercial com a Europa de 13 bilhões de dólares. Em 25 anos, o maior déficit brasileiro com a Europa ocorreu em 1998, quando o ano terminou com um buraco de 1,9 bilhão de dólares, praticamente o mesmo nível que o Brasil já tem em 2013 com a Europa.

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(com Estadão Conteúdo)