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Imposto maior para eletrônicos pode gerar inflação

Economista comenta que leva tempo para sentir os efeitos mas prevê impacto na indústria

Por Veruska Costa Donato 27 fev 2026, 13h06 • Atualizado em 27 fev 2026, 13h17
  • O aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos colocou a indústria no centro da discussão — e o consumidor no radar. Para o economista e professor da FGV, André Braz, a medida tem dois lados bem claros: pode dar fôlego a setores nacionais, mas também pode pressionar preços se não vier acompanhada de ajustes estruturais. E, em economia, intenção não paga boleto.

    Indústria penalizada

    Braz lembra que muitos dos itens atingidos — máquinas, tratores, caldeiras, robôs industriais — fazem parte do índice de preços ao produtor. Traduzindo: são engrenagens da produção. Se esses equipamentos ficam mais caros e o Brasil não tem oferta nacional suficiente ou competitiva, a empresa vai importar do mesmo jeito — só que pagando mais. Esse custo adicional tende a ser repassado adiante, até chegar ao consumidor final. Hoje, os bens duráveis sobem cerca de 2% em 12 meses, mas o economista alerta que esse comportamento pode mudar nos próximos meses.

    Ambiente de negócios

    Para ele, aumentar imposto não é, sozinho, política industrial. “É preciso um ambiente de negócios mais saudável”, defende. Isso passa por infraestrutura eficiente, estradas que funcionem, energia com distribuição confiável e preço competitivo. Sem essas condições, a indústria brasileira continua produzindo caro — com ou sem proteção tarifária.

    Modernização

    Outro ponto sensível é a modernização tecnológica. Se eletrônicos, máquinas e equipamentos ficam mais caros, empresas podem adiar investimentos e o consumidor vai pensar duas vezes antes de trocar celular ou notebook. O risco é frear produtividade justamente quando o país precisa ganhar eficiência.

    Proteção da indústria

    No fim das contas, Braz pondera que proteger setores já estruturados pode ajudar a manter empregos e fortalecer cadeias locais. Mas taxar áreas onde o país ainda depende de tecnologia externa, sem oferecer alternativa competitiva, pode resultar apenas em aumento de custos e inflação espalhada pela economia. A medida pode ser um empurrão — ou um tropeço. Vai depender do que vier junto no pacote.

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