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Ibovespa recua com tarifa dos EUA e risco fiscal no radar

Bolsa brasileira caiu 0,45% mesmo com alta em Wall Street; mercado repercute impacto das tarifas americanas sobre produtos brasileiros

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 jul 2026, 17h11 | Atualizado em 15 jul 2026, 17h38
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O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 15, em queda de 0,45%, aos 175 847 pontos, descolando do desempenho positivo das bolsas norte-americanas. Enquanto Wall Street foi impulsionada por dados de inflação mais fracos nos Estados Unidos, o mercado brasileiro foi pressionado por fatores domésticos, principalmente pela decisão do governo americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros.

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O movimento também foi acompanhado pela abertura da curva de juros futuros, indicando maior percepção de risco pelos investidores. Já o dólar teve comportamento mais contido e encerrou o dia próximo da estabilidade, cotado na faixa de 5,07 dólares.

Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, o pregão evidenciou que o mercado local passou a precificar um risco específico do Brasil, diferentemente do cenário observado no exterior. “O pregão de hoje mostrou um mercado brasileiro andando na contramão do exterior, e o motivo é claramente local. Enquanto as bolsas americanas subiam com a inflação mais fraca nos Estados Unidos, aqui o Ibovespa operava em queda e os juros futuros abriam ao longo da curva”, afirma.

Segundo o especialista, a principal preocupação dos investidores está na combinação entre o novo choque comercial e as incertezas fiscais domésticas. “O investidor está precificando a combinação desse choque comercial com o desconforto fiscal doméstico e, por isso, exige mais prêmio para carregar posição no país”, explica.

Letícia Moschioni, Sócia da Finscale, explica que gestores de indústrias e empresas devem avaliar cuidadosamente estoque, capital de giro e planejamento financeiro. “Considerando que o impacto das tarifas, combinado com a desaceleração nos serviços, pode afetar resultados no curto prazo, e que decisões estratégicas de hedge, precificação e alocação de recursos serão determinantes para manter competitividade e estabilidade operacional nos próximos meses”, pontua Letícia.

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Para os próximos pregões, a expectativa é que o mercado acompanhe os desdobramentos da medida adotada pelos Estados Unidos e seus possíveis impactos sobre a economia brasileira. “O câmbio comportado é o alívio dentro de um dia tenso, mas o recado da bolsa e dos juros é que o mercado quer entender o tamanho real dessa tarifa, quais setores ficarão de fora e por quanto tempo, antes de concluir se o impacto será pontual ou mais duradouro”, conclui André.

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