O Ibovespa iniciou a terça-feira (24) em alta e voltou a se aproximar do patamar de 190 000 pontos, em sintonia com a recuperação dos índices futuros em Nova York. Apesar do movimento positivo, o clima entre investidores segue de prudência, diante de um cenário externo ainda carregado de dúvidas, que vão desde a política tarifária dos Estados Unidos até riscos geopolíticos e impactos econômicos do avanço da inteligência artificial.
No noticiário doméstico, o mercado aguarda a divulgação dos resultados trimestrais de empresas como C&A, GPA, Iguatemi e ISA Energia, previstos para depois do fechamento. No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda internacional em Abu Dhabi, onde se reúne com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, após passagem por Seul.
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Para Pedro Ros, CEO da Referência Capital, a motivação por trás da alta da bolsa está na perspectiva de redução gradual do custo de capital. “O que melhora a matemática de investimentos, destrava decisões empresariais e fortalece ativos ligados ao mercado interno. Ao mesmo tempo, o dólar sustentado preserva competitividade de exportadores e funciona como colchão em momentos de tensão global”, explica Pedro. Já Guilherme Gaspar, sócio da Ótmow fintech, acredita que o humor foi influenciado principalmente pelo cenário externo. “Com investidores repercutindo o início da vigência de novas tarifas dos EUA, que aumentam a incerteza e tendem a manter a volatilidade, embora a precificação tenha vindo menos “pior caso” do que se temia, a tarifa adicional citada entrou em vigor em 10%, e não 15%.
Em relação aos grandes bancos todos operavam em alta com o Santander (SANB11) liderando em 1,07% seguido pelo Banco do Brasil (BBAS3) com 0,78%. O Itaú (ITUB4) segue logo atrás com 0,61% e o Bradesco (BBDC4) com 0,33%.
Cenário internacional
No exterior, o foco permanece na política comercial americana. Os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados que não estejam contemplados por exceções, conforme comunicado da autoridade aduaneira do país. A medida retoma o percentual inicialmente anunciado por Donald Trump, após declarações posteriores sobre uma possível alíquota maior.
A indefinição em torno de acordos comerciais vigentes e a possibilidade de pedidos bilionários de reembolso por parte de importadores adicionam volatilidade ao ambiente. Paralelamente, investidores acompanham com atenção os efeitos da inteligência artificial sobre setores como tecnologia e software, além da persistente tensão entre Washington e Teerã, fatores que continuam influenciando o humor dos mercados globais. O dólar operava em 5,17 reais às 11h15 enquanto em Wall Street, o Dow Jones Futuro sobe 0,10%, Nasdaq Futuro cai 0,10% e o S&P 500 Futuro tem alta de 0,20%.
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