Ibovespa afunda 2% com agravamento da guerra no Oriente Médio
Ministro iraniano diz que não exercerá nenhuma "moderação" em ataques contra refinarias
O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira, 20, com o mercado com receios de uma inflação global puxada pela disparada do petróleo elevar os juros globais, o que gera uma fuga de capital da renda variável para a renda fixa. Todo o temor com a disparada do petróleo acontece após piora na guerra do Irã contra os Estados Unidos e Israel.
Por volta das 12h, o Ibovespa recuava 1,85%, a 176.923,27 pontos. O petróleo Brent sobe 0,5%, a 109,18 dólares por barril. O temor do mercado acontece após o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, advertir que não exercerá nenhuma “moderação” em caso de novos ataques contra sua infraestrutura de energia.
“Nossa resposta ao ataque de Israel contra nossa infraestrutura utilizou apenas uma fração do nosso poderio”, afirmou Araghchi na rede social X e acrescentou: “Não haverá nenhuma moderação se nossas infraestruturas forem atacadas novamente”.
A guerra tem tomado tamanhos preocupantes para o cenário econômico em meio à disparada de mais de 30% do petróleo por causa do fechamento do Estreito de Ormuz e de ataques à refinarias por parte do Irã e de Israel. Nesta sexta-feira, Estados Unidos e Israel atacaram 16 navios de carga iranianos em portos do Golfo, informou a imprensa de Teerã.
“Após o ataque aéreo americano-sionista, pelo menos 16 navios de carga (…) ficaram completamente carbonizados no incêndio”, declarou um funcionário do governo da província de Hormozgan (sul), citado pela agência de notícias Tasnim.
Já a Guarda Revolucionária do Irã anunciou a morte de seu porta-voz, Ali Mohammad Naini, em bombardeios de Israel e dos Estados Unidos. Segundo um comunicado do exército ideológico iraniano, Naini morreu “no covarde e criminoso atentado terrorista perpetrado pelo lado americano-sionista ao amanhecer”.
Em respostas aos assassinatos, o exército iraniano ameaçou oficiais e comandantes militares dos Estados Unidos e de Israel, mesmo quando estiverem de férias ou visitando resorts. “Estamos de olho em seus oficiais e comandantes covardes, pilotos e soldados malignos”, disse o porta-voz militar Abolfazl Shekarchi, citado pela televisão estatal. “De agora em diante, resorts, centros turísticos e locais de entretenimento ao redor do mundo também não serão seguros para vocês”, acrescentou.
As principais preocupações do mercado com a guerra no o Oriente Médio
Com um conflito que aparenta estar longe do fim, o mercado vai se preocupando cada vez mais. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, diz que essa escalada do conflito no Oriente Médio impulsiona o petróleo, elevando preocupações com inflação global e, consequentemente, com a trajetória dos juros.
“Diante disso, o investidor tende a reduzir exposição a ativos de risco e exigir maior retorno para permanecer posicionado no Brasil. Esse ambiente se traduz em pressão sobre a Bolsa, enquanto o câmbio se valoriza como instrumento de proteção”, explica Lima. Por volta das 12h, o dólar subia x%, a xx reais.
Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, diz que o mercado vai levantar a partir de agora é qual poderia ser o impacto de inflação na economia real, o que isso poderia mudar de perspectiva em termos de crescimento daqui para frente.
“Os participantes do mercado, principalmente olhando para as empresas, vão querer entender no resultado de primeiro trimestre, como será essa perspectiva para frente. A temporada de balanços do primeiro trimestre começa em poucas semanas e isso será pauta entre os investidores nos próximos dias”, diz Yamashita.
(Com informações da AFP)





