ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Ibovespa abre em alta após tarifaço de Trump, indicando que Brasil não será tão afetado

Para gestores, a alta do Ibovespa nesta manhã reflete a avaliação de que o saldo geral do tarifaço de Trump é positivo para o Brasil - pelo menos, até agora

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 3 abr 2025, 11h51 - Publicado em 3 abr 2025, 11h43

O Ibovespa abriu em alta nesta quinta-feira 3, ainda digerindo o tarifaço determinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as importações de mais de 150 países, incluindo o Brasil. Como o anúncio ocorreu no fim da tarde desta quarta-feira 2, os efeitos sobre os mercados globais serão captados a partir de hoje. Na máxima do dia até as 11h, o principal índice da B3 alcançou os 132 448 pontos, equivalente a uma valorização de 0,96% sobre os 131.190 pontos com que fechou o pregão de ontem. Por volta das 11h, o Ibovespa subia 0,84%, marcando 132 297 pontos.

O desempenho é ainda mais impressionante, quando se observa que os papéis das duas principais empresas que compõem o índice operam em forte queda nesta manhã. No mesmo instante, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíam 2,96%, sendo cotadas a 39,61 reais. As ações preferenciais PETR4  recuavam 2,77% para 36,17 reais. As ordinárias da Vale (VALE3) perdiam 1,65% e eram negociadas por 55,99 reais.

Para gestores ouvidos pela VEJA, a alta desta manhã não chega a ser uma surpresa. “No caso brasileiro, temos um cenário um pouco diferente, principalmente por dois motivos: o Brasil recebeu o menor volume de tarifas, de 10%, o que poderia trazer atratividade para as empresas locais perante seus demais concorrentes globais em cenários de exportação para os EUA”, afirma Fernando Ferrer, sócio da Lifetime Investimentos e chefe da mesa de renda variável.

“Além disso, os investidores ainda estão bastante underweight na nossa Bolsa”, acrescenta. No jargão do mercado financeiro, “underweight” representa uma exposição abaixo da média a determinados ativos. “Com isso, estamos vendo um fluxo positivo comprador de Bolsa, o que tem feito o dólar ceder e a Bolsa subir neste momento.”

Já Victor Benndorf, fundador da Benndorf Research, explica que o Brasil vive a famosa situação do “copo meio cheio e meio vazio”. Segundo ele, “fomos taxados, mas comparado com alguns países asiáticos, nós estamos muito melhores, com a taxa muito menor.” Benndorf acrescenta que o Brasil “saiu bem na figura toda”.

Continua após a publicidade

“Tem gente falando que poderia até ser benéfico, devido a uma migração do fluxo de alguns países asiáticos para o mercado brasileiro, ou seja, nós estamos relativamente mais baratos do que outros pares.” Para Benndorf, alguns movimentos mais “técnicos” também explicam o saldo positivo do Ibovespa nesta manhã.

Um deles é a queda do dólar index, que reflete a leitura do mercado de que a economia americana sofrerá com as medidas protecionistas anunciadas ontem. Como a moeda americana tem impacto sobre a inflação brasileira, sua queda ajuda o trabalho do Banco Central a conter os preços. Isso permite supor que a taxa Selic atingirá seu topo em breve. Para Benndorf, o sinal de que esta é a interpretação do mercado está no tipo de ação que sobe mais hoje – os papéis de empresas cíclicas, isto é, aquelas que dependem mais dos ciclos econômicos que elevam ou freiam o consumo.

Já João Piccioni, estrategista-chefe da Empiricus Gestora, observa que o Ibovespa é beneficiado pela avaliação de que os mercados emergentes podem lucrar com o protecionismo americano. “A bolsa Brasileira está surfando um pouco essa onda de capital sendo encaminhado para países emergentes”, diz. Entre os exemplos, Piccioni cita a bolsa mexicana, que está subindo 4% hoje. Segundo ele, os destaques desta manhã são ações com beta mais elevado – uma medida de volatilidade que indica quanto um papel oscila, em relação a uma referência como o Ibovespa.

“Essa valorização obviamente está muito ligada à dinâmica de que nós não fomos afetados e que o capital de certa forma pode fluir para cá com alguma liberdade”, diz o gestor. “Então, acho que é uma leitura positiva para o Brasil.”

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas R$ 5,99/mês*
ECONOMIZE ATÉ 59% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Nesta semana do Consumidor, aproveite a promoção que preparamos pra você.
Receba a revista em casa a partir de 10,99.
a partir de 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. Pagamento único trimestral de R$5,97, a partir do quarto mês, R$ 16,90/mês. Oferta exclusiva para assinatura trimestral no Plano Digital Promocional.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.