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IA com potencial de causar caos digital leva Casa Branca à mesa com empresa

Encontro entre governo dos Estados Unidos e Anthropic ocorre às vésperas do lançamento do Mythos, tecnologia que preocupa por riscos

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 17h43 | Atualizado em 17 abr 2026, 19h23
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A escalada de preocupações com os riscos da inteligência artificial levou o governo dos Estados Unidos a retomar negociações com a Anthropic, em um movimento que sinaliza mudança de postura após meses de conflito entre as duas partes.

O CEO da empresa, Dario Amodei, tem reunião prevista com a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, em Washington.

O encontro ocorre em meio à corrida do governo para se preparar para o impacto do novo modelo de inteligência artificial da empresa, o Mythos.

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IA muda tom de disputa entre governo e Big Tech

Até recentemente, a relação entre a Anthropic e o governo americano era marcada por tensão aberta. A empresa chegou a ser classificada como risco à segurança nacional após se recusar a permitir o uso irrestrito de seus sistemas pelo Departamento de Defesa.

O impasse girava em torno de limites éticos: a companhia defendia restrições claras contra o uso da tecnologia em armas autônomas e sistemas de vigilância em massa. Já o governo pressionava por maior liberdade operacional.

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A disputa levou a ações judiciais e à orientação para que agências federais evitassem contratos com a empresa.

Mythos força reaproximação

O lançamento iminente do modelo Mythos alterou esse cenário. Considerado um dos sistemas mais avançados já desenvolvidos, ele despertou preocupação dentro do governo por sua capacidade de identificar vulnerabilidades críticas em sistemas digitais — inclusive em infraestruturas sensíveis.

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A tecnologia já foi disponibilizada, em versão preliminar, para grandes empresas e operadores de infraestrutura crítica. Paralelamente, autoridades americanas vêm sendo informadas sobre como mitigar riscos associados ao seu uso.

Diante disso, a possibilidade de conceder acesso antecipado ao modelo para órgãos governamentais passou a ser discutida.

Segurança cibernética entra no centro da agenda

O governo americano começou a estruturar uma resposta coordenada. O Escritório de Orçamento e Gestão (OMB) iniciou a elaboração de diretrizes para permitir o uso controlado da ferramenta por agências federais, com salvaguardas específicas.

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A coordenação está sendo conduzida por autoridades de segurança cibernética, em um esforço para antecipar possíveis impactos.

Nos bastidores, a avaliação é que o Mythos pode provocar disrupções amplas no ambiente digital, ao tornar mais eficiente tanto a defesa quanto o ataque a sistemas.

Pressão por cooperação com setor privado

A administração também intensificou o diálogo com empresas de tecnologia e instituições financeiras. Reuniões recentes envolveram executivos do setor privado e autoridades como o vice-presidente e o secretário do Tesouro, refletindo a preocupação com possíveis efeitos sistêmicos.

A estratégia passa por integrar empresas no esforço de identificar e corrigir falhas antes que a tecnologia se torne amplamente acessível.

Europa acompanha, mas sem acesso

Enquanto isso, autoridades europeias acompanham o tema com preocupação, mas ainda sem acesso direto ao modelo. Representantes da União Europeia iniciaram conversas com a Anthropic, mas admitem limitações na capacidade de avaliar plenamente os riscos.

O tema também ganhou espaço em encontros internacionais, como as reuniões do Fundo Monetário Internacional, onde líderes discutem a necessidade de uma resposta multilateral.

Corrida global por regulação

O caso expõe um dilema crescente: como regular tecnologias que evoluem mais rápido do que a capacidade de governos de criar regras.

Analistas apontam que punir ou restringir empresas pode ser contraproducente, especialmente em um momento em que modelos avançados podem representar tanto risco quanto ferramenta essencial de defesa.

Ao mesmo tempo, há receio de que a falta de coordenação internacional amplifique vulnerabilidades.

Novo equilíbrio entre poder e tecnologia

A reaproximação entre governo e Anthropic indica que o debate sobre inteligência artificial entrou em uma nova fase — menos ideológica e mais pragmática.

Com o Mythos no horizonte, autoridades parecem dispostas a negociar limites e acelerar mecanismos de controle, mesmo diante de divergências recentes.

No pano de fundo, o episódio revela uma mudança estrutural: a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de inovação e passou a ocupar o centro das discussões sobre segurança nacional, estabilidade econômica e governança global.

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