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Guerra faz petróleo disparar após ataques a instalações de gás no Irã e no Catar

Escalada militar atinge infraestrutura energética estratégica, eleva preços globais e amplia risco de choque econômico

Por Ernesto Neves 18 mar 2026, 17h36 • Atualizado em 18 mar 2026, 18h46
  • A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova fase nesta quarta-feira (18), com ataques diretos a instalações energéticas no Golfo Pérsico, elevando os preços do petróleo e aumentando o temor de uma crise global de energia.

    O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a se aproximar de US$ 110, o maior nível desde o início de março, antes de recuar para cerca de US$ 107.

    O movimento reflete a crescente preocupação do mercado com a segurança da oferta em uma região responsável por boa parte da produção mundial de petróleo e gás.

    A escalada ocorre após o Irã afirmar que seu principal campo de gás, o South Pars, o maior do mundo, foi atingido por bombardeios atribuídos a Israel.

    Em resposta, Teerã lançou mísseis contra alvos energéticos no Golfo, incluindo o complexo de Ras Laffan, no Catar, considerado o maior terminal de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do planeta.

    Segundo a estatal QatarEnergy, os ataques causaram “danos extensos” e provocaram incêndios na área industrial.

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    O local responde por cerca de um quinto de todo o comércio global de GNL, o que amplia o impacto potencial sobre o abastecimento mundial.

    A troca de ataques marca uma inflexão no conflito, que até então evitava atingir diretamente a infraestrutura energética, um dos pilares da economia global.

    Além do petróleo, o gás natural também reagiu: na Europa, os preços subiram cerca de 6%, refletindo a dependência do continente por importações de GNL.

    A tensão também se espalha pela região. Na Arábia Saudita, autoridades disseram ter interceptado mísseis lançados contra a capital, Riad. Fragmentos de um dos projéteis atingiram uma área residencial, deixando feridos.

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    Nos Emirados Árabes Unidos, drones têm atingido instalações energéticas e afetado o tráfego aéreo.

    No Líbano, ataques israelenses se intensificaram, com explosões registradas no centro de Beirute. Em Israel, dois civis morreram após um ataque iraniano com mísseis.

    O conflito também pressiona os mercados financeiros. Bolsas nos Estados Unidos e na Europa operaram em queda, enquanto investidores buscam ativos mais seguros diante da volatilidade.

    Bancos centrais já alertam para o risco de um novo choque inflacionário, caso os preços do petróleo permaneçam elevados.

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    Nos bastidores, governos tentam evitar uma escalada ainda maior.

    A Casa Branca afirmou que tinha conhecimento prévio do ataque israelense ao campo de South Pars, mas negou participação direta. Já o Irã prometeu retaliação e sinalizou que pode usar “armas mais modernas” nos próximos dias.

    Outro ponto crítico é o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Autoridades americanas avaliam que o Irã pode usar a rota como instrumento de pressão, o que agravaria ainda mais a crise energética.

    Para especialistas, o conflito entra agora em uma fase de “guerra econômica”, na qual energia e logística global se tornam alvos centrais.

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    O impacto pode ir além do Oriente Médio, afetando cadeias de suprimento, inflação e crescimento econômico em diversas regiões.

    No curto prazo, o mundo volta a depender de um fator recorrente em momentos de crise geopolítica: a capacidade de contenção.

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