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Guedes chama funcionários públicos de ‘parasitas’ ao comentar reforma

Segundo ele, 80% da população brasileira é a favor da demissão de funcionários públicos

Por Victor Irajá Atualizado em 7 fev 2020, 17h47 - Publicado em 7 fev 2020, 16h43

Ao defender a aprovação da reforma administrativa, que promete revirar as regras do funcionalismo público, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez uma comparação, no mínimo, infeliz: chamou os funcionários públicos de ‘parasitas‘. “O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo. O cara (funcionário público) virou um parasita e o dinheiro não está chegando no povo”, afirmou o ministro na manhã desta sexta-feira, 7, num seminário realizado na sede da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. De acordo com ele, a reforma desenhada pelo governo será apresentada na semana que vem. 

Segundo ele, 80% da população brasileira é a favor da demissão de funcionários públicos. “Estão muito na frente da gente”, disse, com razão — e foi aplaudido. Não foi a primeira vez que ele foi imprudente. Em novembro, o ministro disparou contra a possibilidade de radicalização por parte da oposição e declarou o indeclarável, emulando o filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, ao elencar um dos atos mais cruéis da ditadura militar como um mecanismo plausível, o Ato Institucional Número 5. “Não se assustem se alguém então pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”. 

Numa empreitada para encampar seus projetos em um ano difícil, com tempo limitado pelas eleições municipais em outubro, é de se entender a ânsia de Guedes para vender suas ideias. De fato, a reforma administrativa — assim como uma reforma tributária — é necessária para o país e o combate a privilégios deve ser o norte de um projeto que modifique o funcionalismo, mas não é pela fórmula da ofensa — típica de seu chefe, Bolsonaro — que o governo emplacará mudanças estruturais, ainda mais aquelas que dependem do Congresso Nacional e de articulação política. Foi o belicosismo, aliás, de Bolsonaro que atrasou a aprovação da reforma da Previdência — e a prudência do ministro e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que possibilitaram o avanço. Mesmo que uma ideia seja muito boa, se a forma de se passar a mensagem não for feita corretamente, ela não valerá muita coisa.

Em nota, o Ministério da Economia disse que reconhece a qualidade do servidor público e que a reforma administrativa tem como fim a correção de distorções do sistema. Abaixo, a íntegra do posicionamento da pasta:

O Ministério da Economia esclarece que, após reconhecer a elevada qualidade do quadro de servidores, o ministro Paulo Guedes, analisou situações específicas de estados e municípios que têm o orçamento comprometido com a folha de pagamento. Durante evento no Rio de Janeiro, ele falou sobre entes da Federação que estão com despesas acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Nessa situação extrema, não sobram recursos para gastos essenciais em áreas fundamentais como saúde, educação e saneamento.

O ministro argumentou que o país não pode mais continuar com políticas antigas de reajustes sistemáticos. Isso faz com que os recursos dos pagadores de impostos sejam usados para manter a máquina pública em vez de servir à população: o principal motivo da existência do serviço público. O ministro defendeu uma reforma administrativa que corrija distorções sem tirar direitos constitucionais dos atuais servidores.

O ministro lamenta profundamente que sua fala tenha sido retirada de contexto pela imprensa, desviando o foco do que é realmente importante no momento: transformar o Estado brasileiro para prestar melhores serviços ao cidadão.”

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