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Grupo Pão de Açúcar quer crescer mais no atacarejo

Após mudanças nos perfis de lojas, grupo quer levar a marca Assaí para outros Estados e países

Por Da Redação - 23 jun 2014, 14h16

Sob a direção de Belmiro Gomes, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) quer aumentar as vendas no segmento intermediário entre o atacado e o varejo sob a bandeira Assaí. A expectativa da empresa é inaugurar quarenta lojas nos próximos três anos, levar a rede para novos Estados, além das doze regiões em que já atua, e até para outros países – um sonho antigo que está sendo estudado pelos franceses do Casino, controlador do grupo.

O desempenho do Assaí nos últimos três anos colocou esse formato no centro da estratégia do GPA. A bandeira de ‘atacarejo’ é a que mais cresce no grupo, logo depois do negócio de e-commerce, com a Nova Pontocom, que se prepara para abrir capital nos Estados Unidos este ano. O Assaí viu sua receita bruta crescer 38,2%, de 1,4 bilhão de reais para 1,9 bilhão de reais, no primeiro trimestre. No ano passado, o atacarejo expandiu-se 34%, fechando dezembro com receita de 6,8 bilhões de reais.

Com isso, o GPA espera que o Assaí ultrapasse o faturamento do concorrente Makro até o fim do ano. A diferença de receita entre eles foi de apenas 600 milhões de reais no ano passado. Ou seja, se mantiver o ritmo de crescimento do começo do ano, a meta é possível. O Makro, controlado por holandeses, é atualmente o segundo lugar no ranking dos maiores atacarejos do país, com crescimento de 9,8% em 2013 no Brasil.

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No que depender de Belmiro Gomes, o avanço é fato consumado. O executivo tem a seu favor uma história de 22 anos no Atacadão, que é atualmente o maior atacarejo do país, com faturamento estimado pelo mercado em 18 bilhões de reais. Em 2007, ele coordenou o processo de venda da rede para o Grupo Carrefour e foi contratado pelo GPA em 2010. Nos três anos que coordenou o Atacadão, o faturamento da rede saltou de 4 bilhões de reais (em nove Estados) para 14 bilhões de reais (vinte Estados brasileiros). “Não dá para negar que foi uma escola e que muito do que eu estou fazendo agora vem da experiência no Atacadão”, disse.

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Mudanças – Sob seu comando desde 2010, o Assaí começou a reformular as lojas. Das 79, vinte já foram inauguradas sob um novo conceito: os corredores têm o dobro da largura, o pé direito é mais alto e o piso de concreto permite que as empilhadeiras entrem na loja e coloquem as caixas com produtos direto nas prateleiras, eliminando uma etapa importante da logística. As 42 padarias foram fechadas, porque atraíam um público que não era o alvo da rede. Mas o número de funcionários por unidade (220) permaneceu o mesmo, já que outras áreas foram criadas, como uma cafeteria. “A ideia era acabar com o ambiente sombrio das lojas antigas e tornar a experiência de compra mais agradável, tanto para o comerciante, que é o nosso principal cliente, quanto para a pessoa física”, afirma Gomes.

Ao mesmo tempo em que lidera o processo de repaginação do Assaí, o executivo colocou na rua uma equipe de oitenta pessoas que viaja o Brasil à procura de novas áreas. A loja mais recente da rede, já no novo modelo, foi inaugurada no mês passado em Garanhuns (PE) – o maior prédio da cidade. A próxima inauguração será em Natal (RN). “Com o modelo de atacarejo, que tem forte política de preço baixo, o Pão de Açúcar consegue aumentar sua presença no Nordeste, onde sua atuação ainda não é tão forte”, explica a gerente de shopper e retail insight da Kantar Worldpanel, Flávia Amado. Das 2010 lojas do grupo, que incluem as bandeiras Pão de Açúcar, Extra, Assaí, Casas Bahia e Ponto Frio, apenas cerca de 140 estão nessa região.

Em geral, os indicadores estão a favor de Belmiro Gomes. O que ele terá de provar aos franceses é que consegue entregar, além de crescimento, uma operação rentável, diz a analista da CGD Securities, Júlia Monteiro. “O grande desafio dessa operação é manter uma margem atrativa, já que ela é naturalmente mais baixa do que as de outros negócios do grupo”, completa.

(com Estadão Conteúdo)

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