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Governo nega gasto de quase R$ 1 bi com projeto do trem-bala

Ministro César Borges admite que pode haver reajustes no valor, mas insiste que não chegará a 900 milhões de reais, conforme estimado pela EPL

O ministro dos Transportes, César Borges, informou nesta tarde de sexta-feira que o governo pretende gastar 267 milhões de reais em 2014 para a elaboração do projeto executivo do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Borges negou a estimativa de 900 milhões de reais que havia sido feita pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL) para a conclusão do projeto da obra até 2014 – independemente de ser executada.

Segundo a EPL, o valor quase bilionário foi alcançado com base em projeções internacionais que apontam que um projeto de trem-bala custa, em média, entre 2% e 5% do investimento total na obra. Mas Borges foi categórico: “não vamos gastar 1 bilhão de reais no projeto. Isso não existe. É uma estimativa, a meu ver, bastante elevada”, afirmou o ministro.

O leilão do trem-bala deveria acontecer em 19 de setembro, mas foi adiado pela terceira vez devido ao tímido interesse da iniciativa privada em bancar as obras. Apenas um consórcio de empresas francesas, do qual a Alstom faz parte, manteve o interesse na construção da linha até o último minuto. O governo estima que a obra custará em torno de 33 bilhões de reais, enquanto o setor privado calcula algo próximo de 50 bilhões de reais. Essa discrepância entre as estimativas espantou ainda mais os possíveis interessados. Além disso, a taxa de retorno proposta pelo governo, em torno de 7% ao ano, não foi suficiente para atrair interessados.

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Ele explicou que os 267 milhões de reais que serão destinados ao projeto constarão da proposta do Orçamento de 2014, que a presidente Dilma Rousseff enviará ao Congresso até o final deste mês. Borges admitiu que o valor pode ser ampliado em virtude de ajustes que possam surgir durante a execução dos trabalhos. “Mas posso assegurar que não vamos gastar 900 milhões de reais”, enfatizou o ministro.

Ele informou que o projeto executivo ainda não está sendo feito. No momento, a EPL trata da contratação de uma empresa que vai gerenciar a elaboração das várias partes do projeto executivo, que serão feitas por empresas diferentes. O contrato da gerenciadora vai custar de 60 milhões de reais a 70 milhões de reais.

Borges afirmou ainda que não há no governo nenhuma discussão sobre a construção de um trem de média velocidade como alternativa ao TAV. Ele informou que o governo não considera essa hipótese.

(com Estadão Conteúdo)