Governo caminha para fechar 2025 com déficit primário acima de R$ 70 bilhões
Receitas crescem, mas gastos continuam pressionando; a dívida bruta deve atingir 79,5% do PIB ao final do ano
O governo brasileiro caminha para fechar 2025 com um déficit primário superior a R$ 70 bilhões, segundo as previsões consolidadas do Prisma Fiscal para o mês de novembro, do Ministério da Fazenda. A mediana das estimativas aponta para um rombo de R$ 70,6 bilhões, pior do que o projetado no mês anterior e distante da meta oficial de resultado zero. Trata-se de mais um capítulo de um esforço fiscal que avança, mas sempre em ritmo inferior ao necessário para equilibrar as contas.
Embora a arrecadação tenha crescido ao longo do ano, o avanço das receitas ocorre de maneira mais lenta que a expansão das despesas obrigatórias.
Do lado das receitas, há movimento, mas não o suficiente. A receita líquida do governo central deve alcançar R$ 2,328 trilhões em 2025, ligeiramente acima da projeção de outubro. A arrecadação bruta, estimada em R$ 2,887 trilhões, segue robusta, beneficiada pelo mercado de trabalho aquecido, pela inflação ainda moderada e pela melhora no desempenho de setores específicos. Ainda assim, esse fortalecimento não basta para acompanhar o ritmo das despesas. As despesas totais do governo central devem chegar a R$ 2,397 trilhões neste ano, praticamente inalteradas em relação ao mês anterior, mas significativamente acima da receita líquida.
A mediana das projeções indica um déficit de R$ 12,7 bilhões em novembro. Em dezembro, ao contrário, deve haver um respiro temporário: analistas esperam um superávit de R$ 10,8 bilhões, impulsionado por receitas não recorrentes e pela sazonalidade das despesas do setor público. O alívio, porém, é momentâneo. O impulso de fim de ano não compensa o acúmulo de resultados negativos dos meses anteriores e tampouco altera a tendência anual.
A perspectiva indica que, mesmo com um PIB nominal mais elevado e com a continuidade do crescimento das receitas, o governo não deverá produzir o superávit necessário para iniciar a estabilização da dívida pública. Pelo contrário: a dívida bruta deve seguir em trajetória ascendente, atingindo 79,5% do PIB ao fim de 2025.
O horizonte tampouco oferece sinal de melhora. Para 2026, o mercado financeiro projeta déficit primário ainda maior, na casa de R$ 75,4 bilhões pela mediana das expectativas.
Quando se incluem os juros da dívida, o quadro fiscal se revela ainda mais oneroso. O resultado nominal deve encerrar 2025 em um déficit de quase R$ 931 bilhões, com deterioração prevista para 2026, quando o rombo deve alcançar perto de R$ 1 trilhão.
O diagnóstico que emerge das previsões é claro: o governo se aproxima do fim do ano distante da meta fiscal que apresentou e sem entregar sinais convincentes de reversão da trajetória de gastos obrigatórios.





