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Gerador de CV: como montar seu primeiro currículo

Confira dicas de especialistas de como escrever o perfil ideal e se sair bem na primeira entrevista

Elaborar o primeiro currículo não é uma missão fácil, especialmente quando não se tem muita experiência. Porém, ele ainda é um dos primeiros aspectos que os recrutadores avaliam nos candidatos e, por isso, pode ser a sua porta de entrada para o mercado de trabalho. Para ajudar nessa tarefa, VEJA consultou especialistas e montou um gerador de currículos específico (clique aqui e elabore o seu) para quem está tentando conquistar o primeiro emprego, além de separar dicas que podem ser úteis na hora de preencher as informações e na etapa de entrevistas.

Clareza

Um dos erros mais comuns para quem está montando o primeiro currículo é não ter clareza do cargo para o qual deseja concorrer. “É preciso ter foco”, diz Thayane Fernandes, líder do projeto de currículo online do VAGAS.com. “Isso vale mesmo para áreas de atendimento, que, geralmente, tem opções mais amplas.”

A dica, então, é preencher o campo do cargo desejado de maneira objetiva e clara, sem ficar muito aberto. O mesmo vale para o resumo profissional, em que o candidato deve apresentar uma breve síntese de suas principais experiências, cargos em que atuou e conhecimentos que adquiriu. Nessa parte, segundo a especialista, vale a pena mencionar todas as atividades (remuneradas ou não) que o candidato julgar importantes para sua vida profissional, incluindo estágios, trabalhos temporários, intercâmbio, trabalho voluntário, ajuda em algum negócio de família, entre outras coisas.

“Tudo que o candidato tiver para incluir vai ajudar a conseguir o primeiro emprego. Depois, quando ele tiver mais experiência, terá de optar por tirar o que for menos importante para priorizar experiências mais recentes e relevantes”, explica Thayane. A dica é investir em muitos cursos (presenciais ou online) e no aprendizado de idiomas, nem que seja assistindo a séries e filmes. “Hoje em dia as escolas de idioma não têm mais tanta importância.” Porém, mentir a fluência em uma determinada língua está proibido.

O cuidado com o português também é essencial. “É preciso escrever, ler com atenção, reescrever, dar para outra pessoa ler e garantir que todas as informações estão claras e escritas sem erros gramaticais”, afirma Thayane.

Objetividade

O candidato também não deve exagerar nas informações. Para alguém que está começando, o currículo inteiro não pode ultrapassar duas páginas – sendo que uma já é o ideal. Além disso, aquela história de descrever qualidades como “organizado”, “empenhado” ou “trabalha bem em equipe” também está fora das recomendações.

“Tente colocar evidências de suas qualidades, não habilidades específicas. Mostre todas essas competências pelas atividades que você desempenhou”, explica Elen Souza, psicóloga e assessora de carreira da Catho. “No caso do trabalho voluntário, as atividades reforçam algumas competências pessoais e profissionais importantes, como trabalho em equipe e organização.” Por isso, não é necessário colocá-las explicitamente, explica a especialista.

O histórico profissional, apesar de ser uma das partes mais temidas na hora de escrever o currículo, é apenas um campo em que o candidato vai detalhar as informações descritas no resumo. Nele, devem ser informados os nomes das empresas ou organizações nas quais o candidato desempenhou atividades, o cargo exercido e o período de tempo pelo qual ele ocupou aquela função. O mesmo vale para o campo de formação acadêmica, mas aplicado para as instituições de ensino nas quais o candidato estudou.

Simplicidade

Outra dica valiosa é não arriscar muito no formato do currículo. “Atualmente, um número cada vez maior de empresas tem pedido outros formatos de currículo para os candidatos, como vídeo de apresentação ou portfólio. Também existem os ‘currículos cegos’, que focam muito nas competências e não pedem praticamente nenhuma informação pessoal do candidato – incluindo nome e instituição de ensino na qual ele estudou. Tudo isso é uma tendência forte no exterior, mas aqui no Brasil a adesão ainda é muito tímida”, diz Elen. A especialista aconselha, então, a sempre montar um currículo “tradicional” para deixar na gaveta e só investir em algum modelo mais “ousado” se for solicitado.

A especialista indica, também, informar as redes sociais, mas só as mais profissionais, como LinkedIn. Ainda assim, é preciso ficar atento. “Hoje em dia é raro um processo seletivo em que o recrutador não vá pesquisar o nome do candidato nas redes sociais. Por isso, é importante tomar muito cuidado com o que posta, mesmo se não colocar no currículo.”

Entrevista

Depois que o candidato é selecionado pelo currículo, normalmente, ele tem de passar por uma etapa de entrevistas com os recrutadores. A dica, então, é tomar muito cuidado com a linguagem e a postura. “Evite gírias e palavras abreviadas na hora de escrever. Não precisa ser muito engessado ou até formal demais, mas mantenha a clareza na comunicação”, recomenda Lucas Oggiam, gerente da empresa de consultoria Page Personnel.

“É cada vez mais difícil contratar novos talentos, porque os jovens não sabem como se portar nas entrevistas. Quando não estão falando ao telefone, estão olhando para a tela do celular. É importante ter interação pessoal, manter olho no olho com os entrevistadores, ter empatia, falar claro, ser simpático, deixar a introversão de lado.”

A roupa também é parte importante no processo seletivo. “Tente descobrir o dresscode adequado para aquela empresa. Vale perguntar para os recrutadores o que pode e o que não pode na hora da entrevista”, afirma. “Empresas mais alternativas tendem a pedir roupas mais despojadas, como camiseta e calça jeans. Porém, se não falarem nada, invista em roupas sérias e não muito exageradas.”

Além disso, o especialista diz que, durante a seleção, é importante ser sincero. “Se não te perguntarem diretamente, ao final, informe se você está participando de algum outro processo seletivo. Isso é importante para que eles saibam se a data em que o resultado vai sair influencia na sua decisão”, afirma. O mesmo vale para a remuneração. “Provavelmente, os entrevistadores vão abordar o assunto durante as entrevistas. Mas, se não acontecer, não tenha medo de perguntar no final.”