Flávio Bolsonaro surpreende nas pesquisas, mas não cumpre um requisito do mercado
Pesquisas mostram liderança de Lula e mercado ainda à espera da direita
A pesquisas eleitoral Meio/Idea divulgada hoje colocou números na mesa e reacendeu o debate recorrente no mercado: a preferência por um candidato de direita não significa, necessariamente, viabilidade eleitoral. Nos cenários simulados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga no primeiro turno, com algo entre 39% e 40% das intenções de voto, enquanto os nomes da direita — Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas — orbitam entre 32% e 35%. No segundo turno, Lula venceria todos, com disputa mais apertada apenas contra Tarcísio.
O mercado ainda não faz preço da eleição
Do ponto de vista dos ativos, a leitura ainda é de cautela. Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos, avalia que o ambiente macro ajuda quem está no poder. “Esse cenário é muito favorável para quem hoje lidera o país”, disse, citando medidas populares e a perspectiva de juros menores. Para ele, embora a performance inicial de Flávio Bolsonaro surpreenda, as pesquisas ainda não estão fazendo preço em dólar ou bolsa. “Eleição não entrou no radar”, resumiu.
O problema, segundo Marcelo, é menos de nome e mais de conteúdo. O mercado até gostaria de uma alternativa à esquerda, mas sente falta de respostas básicas. “O que fica faltando é saber qual o programa econômico, qual a política fiscal, a política monetária”, afirmou. Sem isso, a preferência ideológica vira apenas um desejo, não uma aposta concreta. Resultado: investidores seguem mais atentos aos dados de atividade e inflação do que às intenções de voto.
Falta unidade para a direita
Na análise de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o calcanhar de Aquiles da direita é a falta de unidade. “Antes de prometer, eles têm que ter uma unidade”, afirmou, lembrando que o eleitorado de direita — algo entre 30% e 35% — é fiel, mas fragmentado. O desafio real é ultrapassar os 50% no segundo turno, e isso exige mais do que discurso.
Enquanto isso, Lula colhe vantagens objetivas: desemprego baixo, crescimento econômico e menor tensão externa, especialmente com os Estados Unidos. Para Agostini, a oposição precisará reconhecer o que funciona hoje e apresentar um caminho mais convincente para a gestão fiscal, capaz de sustentar juros mais baixos. Até lá, o mercado pode até sonhar com um nome de direita, mas os números mostram que, por ora, quem larga na frente continua sendo o atual presidente.





